Como saber se meu celular foi clonado | Guia Prático
Existem alguns métodos para descobrir se o seu celular foi clonado e proteger suas informações pessoais depois disso. Esse tipo de cibercrime é comum e possibilita que bandidos tenham acesso a SMS e outros dados sensíveis das vítimas, o que pode facilitar uma série de golpes. Como proteger meu celular de invasões? Teve o celular roubado? Saiba o que fazer e como se proteger Primeiramente, é necessário entender o que significa a clonagem e como ela afeta o celular de cada vítima. Não é um processo em que o criminoso pode reproduzir a tela inteira do aparelho de alguém, mas permite que uma pessoa tenha controle sobre histórico de mensagens e acesso a aplicativos, algo capaz de gerar um bom estrago. Como é feita a clonagem do celular O crime pode ser praticado de três formas diferentes: com a clonagem do cartão SIM, uso de aplicativos espiões e clonagem do número IMEI do celular. -CT no Flipboard: você já pode assinar gratuitamente as revistas Canaltech no Flipboard do iOS e Android e acompanhar todas as notícias em seu agregador de notícias favorito.- Clonagem do cartão SIM O primeiro caso envolve a técnica de “SIM Swapping” (“Troca de SIM”, em tradução livre) e é uma das formas mais comuns de se cometer o crime. A troca de linha telefônica entre chips é um processo legítimo, usado por operadoras quando você perde o celular ou tem o aparelho roubado. No entanto, existem as situações em que criminosos se passam pela vítima, entram em contrato com a empresa de telefonia móvel e pedem para transferir a linha de telefone para outro chip, quando ganham acesso a informações como o histórico de ligações, mensagens e SMS. Nesse caso, o invasor pode acessar as mensagens para interceptar os códigos de verificação em duas etapas (2FA), enviados por SMS, e ganhar o acesso a aplicativos de redes sociais, bancos e outras ferramentas que possam conter informações sensíveis. Uma forma comum de clonagem envolve transferir a linha telefônica da vítima pra outro cartão SIM (Imagem: Brett Jordan/Unsplash) Gerente de Controle de Obrigações Gerais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Sami Benakouche explica como o crime acontece: A fraude pode ocorrer na mesma prestadora da vítima com a apresentação de documentos falsos em nome da vítima ou cooptação de colaboradores nas prestadoras., explica o especialista. O sequestro da linha também pode ocorrer mediante a exploração do procedimento de Portabilidade, quando o criminoso se apresenta em outra prestadora em nome da vítima. O objetivo é, geralmente, realizar fraudes financeiras ou acessar suas informações pessoais, completa. Aplicativos espiões Os spywares precisam ser instalados no aparelho da vítima, então é comum que sejam baixados diretamente por alguém com o celular em mãos ou a partir de outros aplicativos maliciosos. Essas ferramentas conseguem ter acesso a diversas permissões do aparelho, como o histórico de chamadas e a possibilidade de ler todas as informações da tela, e coletam dados sensíveis. Clonagem do IMEI Há ainda o processo para clonar o IMEI, número de identificação de cada celular. Quando um aparelho é roubado, é possível bloqueá-lo junto à operadora a partir do IMEI — depois disso, não é possível acessar qualquer rede móvel nele. A prática permite que criminosos consigam usar o mesmo registro em dois dispositivos diferentes, o que permite o uso de celulares roubados que tiveram o IMEI bloqueado. Como descobrir que o celular foi clonado Alguns sinais durante o uso no dia a dia podem indicar que o aparelho sofreu algum tipo de clonagem ou invasão — preste atenção nestes detalhes: Tente fazer chamadas e enviar mensagens De acordo com a Anatel, um dos primeiros sinais de clonagem do chip está na falha para realizar chamadas, navegar na internet ou trocar mensagens pela rede de dados móveis. Experimente desligar o Wi-Fi e testar algumas dessas funções para conferir se o chip ainda está ativo no seu aparelho. Verifique os apps instalados Passe por todos os aplicativos instalados no celular e veja se está tudo em ordem, ou seja, se não há nada que você não lembre de ter baixado ou com algum ícone diferente. Invasores podem baixar apps sem a sua permissão, então isso pode ser um sinal dos ciberataques. Confira as permissões de cada app Vale a pena dedicar um tempo para abrir a tela de configurações e ver quais apps têm acesso a permissões do aparelho, como envio de mensagens e localização em tempo real. Caso note alguma movimentação estranha, como um software que exige muitas permissões, é importante entender a situação e conferir se não há uma tentativa de invasão. Procure por códigos de verificação por SMS Abra a lista de mensagens de texto e veja se há algum código de verificação (aqueles com quatro ou seis dígitos) no qual você não lembra de ter pedido. Caso encontre algum exemplo, é muito provável que seu chip tenha sido clonado. Fique de olho em possíveis quedas de sinal A clonagem de chip também pode afetar a qualidade da rede de dados telefônicos, com chiados durante ligações e possíveis quedas de sinal. Você pode entrar em contato com a operadora para obter mais informações sobre as inconsistências — no entanto, se não tiver nenhum problema com a linha, é provável que você tenha sido vítima de um ataque. Abra o rastreador de GPS do dispositivo Aparelhos interceptados podem exibir uma localização diferente da sua posição atual. Abra um aplicativo de GPS, como o Maps ou o Encontre Meu Dispositivo, e compare o local no mapa. Caso exista alguma diferença, o celular pode estar clonado. Confira se você não recebeu nenhuma mensagem de portabilidade da operadora A Anatel obriga que todas as operadoras confirmem os pedidos de portabilidade com autenticação em dois fatores: as empresas enviam um SMS para o proprietário da linha telefônica, que precisa aprovar o processo ao responder sim ou não. Se você não tentou pedir a portabilidade e recebeu a mensagem, é necessário enviar uma resposta negativa para cancelar a solicitação. Verifique o consumo da conta de dados móveis A atividade dos criminosos também pode ser notada na conta de telefonia móvel: em alguns casos, a fatura pode apresentar um consumo muito grande dos dados, que pode ter sido feito pelo aparelho clonado. Como descobrir se o IMEI foi clonado A Anatel possui uma ferramenta própria para consultar a situação do IMEI e descobrir se ele foi clonado. Para isso, você precisa ter acesso ao número de identificação — então saiba como encontrar o IMEI do seu celular. Com o código em mãos, siga estes passos: Abra o navegador e acesse gov.br/anatel/pt-br/assuntos/celular-legal/consulte-sua-situacao. Clique em Consulte aqui a situação. Digite o número do IMEI do aparelho. Faça a verificação do Captcha. Pressione “Consultar”. Veja o resultado. Consulte o status do IMEI do celular no site da Anatel (Imagem: Captura de tela/André Magalhães/Canaltech) O celular foi clonado, e agora? Após identificar uma provável clonagem no cartão SIM, é necessário entrar em contato com a operadora o quanto antes para informar o ocorrido. Caso o sequestro da linha seja confirmado, você precisa registrar um Boletim de Ocorrência — isso pode ser feito presencialmente em alguma delegacia da Polícia Civil ou de forma online com o BO Digital. Também é importante mudar todas as senhas dos serviços conectados ao número do celular, como bancos e redes sociais. A mudança de senha combinada à verificação em dois fatores feita por apps de autenticação ajuda a dificultar o acesso às suas contas. Altere as senhas das contas vinculadas ao seu celular (Imagem: Yura Fresh/Unsplash) Os criminosos tentam se passar pelas vítimas nesses golpes, então também é importante avisar pessoas próximas, como familiares e colegas de trabalho, e instituições financeiras sobre o ocorrido. A medida ajuda a impedir que os golpistas tentem pedir dinheiro para parentes por WhatsApp ou entrem em contato com o atendimento de um banco, por exemplo. A linha do aparelho pode ser recuperada nesses casos, mas a identificação dos criminosos ainda é difícil: “a própria natureza da fraude, que busca a captura de uma linha móvel por meio do fornecimento de dados do usuário titular da linha dificultam a identificação do criminoso. No entanto, as Operadoras de Telecomunicações, Anatel, Justiça e Forças Policiais vêm trabalhando para identificação e responsabilização dos criminosos.”, explica Sami Benakouche, da Anatel. No caso de outras formas de invasão do aparelho, como o uso de spywares, é importante escanear os arquivos internos com um antivírus para remover a ameaça. Como evitar que o aparelho seja clonado? Algumas medidas de segurança podem diminuir os riscos de ter o celular clonado e evitar golpes com seu número: Use um antivírus no celular para detectar ameaças. Baixe aplicativos somente de fontes oficiais, como a Play Store ou a App Store. Apague aplicativos suspeitos do aparelho. Não clique em links enviados por estranhos ou vindo de lugares que você não conhece. Se for carregar seu aparelho em um computador estranho, deixe ele no modo só de carregamento, sem compartilhamento de dados. Não ative a opção lembrar senha em suas contas. Desabilite a conexão automático em Wi-Fi do celular. Não use redes públicas de Wi-Fi. Existem alguns golpes que focam em criar um perfil falso no WhatsApp com alguma foto sua — nesses casos, também é possível identificar se a conta no mensageiro foi clonada.

