Ações do Banco do Brasil estão entre as principais oportunidades do setor financeiro, indica Safra

BBAS3 tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 50. instituição reportou resultados neutros no quarto trimestre de 2020 Ações do Banco do Brasil (BBAS3) têm recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 50
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A Safra Corretora apontou, em relatório publicado na última terça-feira, 14, que o Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar uma boa recuperação de resultados para 2021, levando seu valuation a um nível bastante atraente. De acordo com os números do Safra, o P/L (Preço sobre Lucro) 21e atual do Banco do Brasil (BBAS3) está em 4,8 vezes, representando um desconto de 21% em relação à média histórica de cinco anos e também 43% abaixo de seus principais pares.
Conforme os especialistas, em termos de P/VP (Preço/Valor Patrimonial), o múltiplo também é atraente, uma vez que está negociando abaixo de seu valor contábil, a 0,6 vez, enquanto seus pares privados estão negociando entre 1,5 vez e 2 vezes. No entanto, os analistas acreditam que, no curto prazo, o ruído político pode continuar trazendo volatilidade ao Banco do Brasil (BBAS3). Nesse sentido, o Safra afirma ver um bom potencial para a ação, com indicação de compra com um preço-alvo de R$ 50/ação.
A análise foi elaborada a partir de uma teleconferência na qual os executivos do Banco do Brasil (BBAS3) reiteraram o compromisso da instituição financeira com as metas de eficiência e o esforço para melhorar a rentabilidade do banco.
“Apesar dos ventos contrários com medidas de restrição em algumas regiões, o banco parece no caminho certo para entregar bons resultados em 2021 (de acordo com seu guidance), principalmente por conta da redução nas provisões de crédito e crescimento do volume, especialmente em linhas como folha de pagamento e rural”, diz o documento assinado por Luis Azevedo e Silvio Dória.
Banco do Brasil (BBAS3): balanço do quarto trimestre de 2020
O Banco do Brasil (BBAS3) reportou resultados neutros no quarto trimestre de 2020, com lucro líquido ajustado de R$ 3,7 bilhões, queda interanual de 20,1%, mas alta trimestral de 6,1%. O resultado veio ligeiramente abaixo da expectativa do Safra. Com isso, o retorno sobre o patrimônio líquido no trimestre foi de 11,9%.
Para 2020, o lucro líquido ajustado totalizou R$ 13,9 bilhões, queda de 22,2% ante 2019. Na comparação com o trimestre anterior, o crescimento da receita líquida do Banco do Brasil (BBAS3) e a menor provisão de crédito foram ofuscados pelo maior nível de despesas, principalmente pela linha com o saldo de demandas cíveis, fiscais e trabalhistas, bem como a que contém outras provisões, resultado em participações e fundo de pensão, despesas tributárias, entre outros.
O que esperar para as ações do Banco do Brasil (BBAS3) em 2021
O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou seu guidance para 2021, sinalizando um lucro líquido ajustado entre R$ 16 bilhões e R$ 19 bilhões, o que implicaria um retorno sobre patrimônio líquido de 13,5% no ano.
“Em linha com o setor, o BB apontou a redução significativa do custo do crédito como principal impulsionador da recuperação dos resultados em 2021. O Safra enxerga a meta da carteira de crédito entre 8% e 12% como positiva, e isso deve levar a margem financeira para uma taxa média entre 2,5% e 6,5%”, afirmam os analistas.
De acordo com os especialistas, as despesas administrativas podem permanecer estáveis, refletindo também as iniciativas de redução de custos do Banco do Brasil (BBAS3). Por outro lado, o Safra aponta um guidance tímido para as receitas de serviços, que devem ficar praticamente estáveis em 2021, na comparação com 2020.
Qualidade do crédito
De acordo com os especialistas, a qualidade do crédito está indo bem, apesar do aumento marginal na inadimplência de curto prazo. Além disso, a quantidade de linhas de crédito que possuem postergações de amortização deve diminuir, visto que o período de carência expirou para a maioria das linhas.
Conforme o relatório do Safra, o volume de tolerância de crédito deve cair no primeiro trimestre de 2021 em relação aos últimos três meses de 2020 (R$ 130,1 bilhões). Já o NPL (crédito não produtivo, entre 15 e 90 dias) pode apresentar um ligeiro aumento sobre uma base comparativa anormalmente baixa (auxiliado por adiamentos de amortização), o que pode ser visto como normal considerando os efeitos sazonais.
“Mesmo assim, o banco parece confortável com o nível de provisionamento atual (em 2020, construiu aproximadamente R$ 8 bilhões em provisões incrementais para enfrentar os impactos da pandemia sobre a economia). O pico de inadimplência pode ser atingido a partir do segundo trimestre deste ano para algumas linhas da carteira pessoa física e no segundo semestre de 2021 para as linhas corporativas (já que algumas linhas, como o Pronampe, têm um período de carência mais estendido)”, diz o relatório do Safra.
Os analistas dizem estar confiantes de que uma grande redução na Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa deve ser um dos destaques para o resultado de 2021. Mesmo assim, afirmam eles, o banco segue monitorando os impactos da nova onda da pandemia de Covid-19, o que poderia fazer o banco reavaliar suas expectativas.
Por que investir em ações do Banco do Brasil (BBAS3)
Entre os motivos para se investir no Banco do Brasil (BBAS3), o Safra cita o foco na lucratividade, reduzindo distância para bancos privados. a melhora no controle de custos. a forte presença no agronegócio. os baixos níveis de inadimplência e a expansão de crédito mais prudente. a ampla presença no Brasil. e as parcerias para alavancar escala e reunir conhecimentos.
Em relação aos riscos, os analistas salientam que, apesar do estatuto de boa governança, os investidores ainda podem rotular o banco como um ativo altamente exposto a riscos políticos. Além disso, a renda com juros pode enfrentar uma pressão.

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