Teste de estresse para pandemia indica que perdas exigiriam aporte de R$ 1,5 bi, diz BC
Valor equivale a só 0,1% do patrimônio de referência do Sistema Financeiro Nacional, melhor resultado desde o 1º teste de efeitos da covid-19 Os aportes necessários para as instituições financeiras em um cenário de estresse causado pela pandemia de coronavírus seriam de R$ 1,5 bilhão, afirmou nesta terça-feira o Banco Central (BC).
Esse valor equivale a apenas 0,1% do total do Patrimônio de Referência (PR) do SFN (Sistema Financeiro Nacional). Trata-se do melhor resultado do teste de estresse específico para os efeitos da covid-19 desde o primeiro teste, publicado em abril de 2020, disse no Relatório de Estabilidade Financeira (REF).
De forma geral, segundo o BC, os resultados dos testes de estresse continuam demonstrando redução dos efeitos da pandemia no sistema financeiro.
Os resultados das análises de sensibilidade também indicam boa resistência quando cada risco é simulado isoladamente. São testados os riscos de crédito, juros, câmbio e desvalorização de imóveis. Os resultados mantiveram-se estáveis em comparação aos testes anteriores, afirmou.
A liquidez também não preocupa, segundo o REF. As instituições bancárias melhoraram a resiliência para enfrentar choques na liquidez de curto prazo. O impacto de potencial suporte de liquidez a fundos de investimento pelas gestoras integrantes do sistema bancário continua não representando ponto de atenção, disse.
Mudanças climáticas
Alterações estruturais na temperatura e no regime de chuvas impactariam substancialmente o sistema financeiro, afirmou o REF.
Essa análise foi elaborada conforme cenário do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Mudanças climáticas duradouras, diferentemente das alterações por períodos curtos e de eventos extremos, poderiam gerar impactos relevantes para o setor bancário, disse.
Entre os riscos de longo prazo, o BC citou redução da oferta de crédito e o aumento da inadimplência. No curto prazo, entretanto, as flutuações no clima teriam baixo impacto sobre os bancos.
Os resultados revelam que o efeito de mudanças climáticas de curto prazo, como secas e inundações, é limitado. Isso porque os bancos estão se adaptando e reduzindo a exposição de crédito nas áreas mais vulneráveis a esse tipo de evento climático, disse.
Além disso, a atividade econômica também parece evitar essas áreas, o que reduz os depósitos e a demanda por empréstimos.
O fato de as IFs (instituições financeiras) reduzirem atuação nas áreas mais sujeitas a risco climático não gera risco agregado substancial para o SFN, disse.
O BC ainda destacou que o crédito bancário aos setores verdes é menor do que o crédito aos setores de alto impacto, mas essa participação relativa está aumentando desde 2011.
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