Santander fecha trimestre com lucro gerencial recorde de R$ 4 bilhões
Resultado, que representa alta de 4,1% ante um ano antes, ficou acima daquele previsto por analistas consultados pelo Valor. Lucro societário ficou em R$ 2,816 bilhões no período, com queda de 25,4% O Santander Brasil obteve lucro líquido gerencial de R$ 4,012 bilhões no primeiro trimestre de 2021, o que representa alta de 4,1% na comparação com o mesmo período de 2020 e avanço de 1,4% ante o trimestre imediatamente anterior. O resultado é recorde e veio acima das projeções dos analistas consultados pelo Valor, que apontavam um ganho de R$ 3,804 bilhões.
O resultado líquido foi impulsionado por um ganho de R$ 1,032 bilhão com reversão de 100% de despesas de amortização de ágio. O lucro societário do Santander ficou em R$ 2,816 bilhões entre janeiro e março, com queda de 25,4% ante igual intervalo de 2020 e de 27% no trimestre.
“Em março registramos uma ótima dinâmica de negócios, com recorde de produção em diversos produtos, como consignado, venda de cartões de crédito, financiamento de bens & consumo, entre outros”, diz o presidente do banco, Sergio Rial.
O terceiro maior banco privado do país em ativos contabilizou margem financeira bruta de R$ 13,422 bilhões no primeiro trimestre de 2021, com alta de 8,3% ante o trimestre anterior e de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) ficaram em R$ 3,161 bilhões, com alta de 9,7% ante o trimestre anterior e baixa de 7,7% em relação ao primeiro trimestre de 2020.
As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias atingiram R$ 4,852 bilhões, com queda de 5,5% no trimestre e alta de 8,2% no ano. Já as despesas gerais totalizaram R$ 5,266 bilhões, com baixa de 5,2% no trimestre e queda de 0,5% no ano.
O retorno sobre o patrimônio (ROE) – excluindo ágio – ficou em 20,9% no primeiro trimestre, ante 20,9% no quarto trimestre e 22,3% no primeiro trimestre de 2020. O índice de Basileia ficou em 15,2%, de 15,3% e 13,8%, na mesma base de comparação.
Inadimplência
O Santander Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2021 com inadimplência de 2,1% na carteira de crédito, ante 2,1% em dezembro de 2020 e 3% em março daquele ano.
A taxa de calotes de pessoa física ficou em 3,1% no fim de março, ante 3% em dezembro e 4% no fim do primeiro trimestre de 2020. No caso de pessoas jurídicas, o indicador estava em 1,0% no fim de março, de 0,9% e 1,6%, na mesma base de comparação.
De acordo com o Santander, a queda anual da inadimplência foi beneficiada pelas medidas adotadas ao longo de 2020, como prorrogações de pagamentos, principalmente em pessoa física, além do aumento de participação dos produtos de menor risco no saldo total da carteira.
A inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) ficou em 3,6% em março, de 2,8% em dezembro e 4,1% em março de 2020. Em PF, a inadimplência ficou em 5,2%, de 4,3% e 6,0%, na mesma base de comparação. E em PJ o indicador foi de 1,7%, de 1,1% e 1,6%, respectivamente.
Segundo o banco, a alta na passagem de dezembro para março é decorrente da sazonalidade de início do ano, com maior concentração de despesas pela população e também pelo crescimento mais representativo do segmento pessoa física na carteira de crédito no período.
O registro de empréstimos inadimplentes (NPL formation) ficou em R$ 3,268 bilhões no primeiro trimestre, queda de 35,1% no ano e de 0,2% no trimestre. A relação entre o NPL formation e a carteira de crédito alcançou 0,8% no primeiro trimestre, de 0,8% no quarto trimestre e 1,4% no primeiro trimestre de 2020.
O Santander informou ainda que sua carteira renegociada atingiu R$ 22,881 bilhões em março, com aumento de 33,8% em 12 meses. Segundo o banco, essas operações foram impactadas pela deterioração do cenário macroeconômico no último ano, sendo esse efeito minimizado pelo perfil de risco da carteira. Em três meses, o saldo caiu 0,5%.
Carteira de crédito
Ao fim de março de 2021, o Santander tinha R$ 424,784 bilhões na carteira de crédito. O saldo aumentou 3,2% ao longo do primeiro trimestre de 2021 e cresceu 12,2% na comparação com março do calendário anterior. Descontado o efeito da variação cambial, a alta em 12 meses foi de 11,4%.
O saldo de operações com pequenas e médias empresas estava em R$ 55,323 bilhões no fim do primeiro trimestre, alta de 1,3% em relação a dezembro de 2020 e de 28,4% na comparação com março daquele ano.
A carteira de pessoas físicas, que é a mais relevante para o Santander, cresceu 2,3% no trimestre e 13,4% em 12 meses, para R$ 178,391 bilhões no fim de março. O segmento foi impulsionado pelas linhas de leasing/veículos, com R$ 3,990 bilhões (alta anual de 27,5%). crédito imobiliário, com R$ 46,473 bilhões (alta de 23,2%). e crédito rural, com R$ 8,661 bilhões (+20,9%).
O financiamento ao consumo cresceu em ritmo mais lento. Houve expansão de 1,5% em relação a dezembro e de 3,4% na comparação com março do ano passado, totalizando R$ 61,137 bilhões.
A carteira de grandes empresas era de R$ 129,932 bilhões no fim de março de 2021, apontando alta de 6,1% em relação a dezembro de 2020 e de 9,2% frente a março do mesmo ano.
Entre as pessoas jurídicas, a linha de “repasses” teve alta anual de 63,4%, a R$ 11,314 bilhões, enquanto capital de giro subiu 30,4%, a R$ 127,262 bilhões. Já comércio exterior foi um dos destaques de queda, com retração de 21,9%, a R$ 35,007 bilhões.
A carteira de crédito ampliada, que inclui outras operações com risco de crédito e avais e fianças, atingiu R$ 497,566 bilhões, incremento de 7,4% em 12 meses (ou 6,7% desconsiderando o efeito da variação cambial). Em relação a dezembro, diminuiu 2,9%, devido à segregação das ações da Getneta pós a cisão da unidade. Desta forma, os ativos de adquirência deixaram de ser consolidados em outras operações com riscos de crédito.
Segundo o Santander, o saldo do crédito prorrogado alcançou R$ 36,4 bilhões em março, decorrente da amortização de R$ 13,4 bilhões ocorrida desde o segundo trimestre de 2020. “Seguimos com o acompanhamento rigoroso dos indicadores de qualidade, que permanecem em patamares satisfatórios, sendo que a inadimplência de 15 a 90 dias atingiu 5,8%”.

