BB manterá programa de eficiência, diz Ribeiro: “interferência política zero”
Novo presidente diz que mensagem principal é que vai dar continuidade à execução da estratégia do banco entre 2021 e 2025. plano de fechar agências e reduzir pessoal levou à queda do antecessor O novo presidente do Banco do Brasil (BB), Fausto Ribeiro, afirmou que o programa de eficiência anunciado pelo banco em janeiro – que levou à queda do seu antecessor, André Brandão – está mantido. Na ocasião, o BB anunciou um plano de fechar 361 unidades – 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento -, além de dois programas de pessoal, de adequação de quadros e desligamento voluntário, para até 5 mil funcionários. Isso levou a pressões políticas e críticas do presidente Jair Bolsonaro, o que depois culminou com a renúncia de Brandão.
Ribeiro explicou que o planejamento estratégico plurianual do banco é definido pelos órgãos de governança e que cabe à diretoria executá-lo. “Vamos dar continuidade à execução de estratégia do BB”.
De dezembro para março o BB reduziu sua folha de pagamento em 3.797 funcionários. Ricardo Forni, vice-presidente de gestão financeira do BB, disse que ainda tem funcionários a serem desligados no segundo trimestre, mas não deu detalhes.
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Em relação aos pontos de atendimento, de dezembro para março foram fechadas 284 agências tradicionais e 163 postos de atendimento. Já o número de correspondentes bancários subiu em 1.348, o de agências digitais e especializadas em 5 e foram criados ainda 16 escritórios leves. “Tivemos uma redução no número de agências tradicionais, com ajuste importante na estrutura de custo”, disse Forni.
Ribeiro garantiu que nenhuma localidade vai ficar desassistida e disse que boa parte da revisão no número de agências já foi feita, mas não quis dar um número para os fechamentos neste ano. “O que a gente tinha planejado basicamente foi feito. Em relação ao futuro, o tamanho da rede de agências quem determina é a base de correntistas, e nós vamos tomando as medidas necessárias para adequá-la. Mas existe uma tendência irrefutável de mais clientes utilizando soluções digitais”, comentou.
Em sua primeira teleconferência com jornalistas, nesta sexta-feira, para anunciar os resultados no primeiro trimestre, o novo presidente do BB afirmou que há zero interferência política em sua gestão. Ele afirmou que a gestão será bem técnica, o que é a base da política de governança da instituição, e que não pretende ocupar espaço político.
Segundo ele, sua nomeação, anunciada no mês passado, foi concluída após obedecer a todo o rito que os antecessores também enfrentaram. “O mandato que recebi do presidente da República é liderar o banco em busca de eficiência, rentabilidade compatível com os pares privados e prestar um atendimento de excelência para a população brasileira”, disse Ribeiro.
Questionado se pretendia ter uma atuação mais política, como o presidente da caixa, Pedro Guimarães, que sempre participa de eventos com Bolsonaro, Ribeiro afirmou que não pretende ocupar espaços políticos.
Quando Brandão anunciou o plano de fechamento de agências e demissões voluntárias, Bolsonaro reclamou de não ter sido informado previamente e membros da equipe econômica admitiram que houve uma “falha de comunicação” por parte do BB.
“Para evitar falhas de comunicação, estamos nos aproximando mais do Ministério da Economia, para termos oportunidades de diálogo e esclarecer qualquer assunto que possa ser uma potencial de causa ‘misunderstanding’”, afirmou Ribeiro nesta sexta-feira, usando o termo em inglês para “mal-entendido”.
Ele comentou ainda que para compor os altos cargos executivos procura “pratas da casa”, ou seja, com alta qualificações e com experiência dentro do banco. “Em breve estaremos com o quadro completo”, afirmou. Desde que assumiu, já foram trocados quatro vice-presidentes.
Guidance
Ribeiro disse que o ano começou com tendência de retomada, mas o cenário para os próximos trimestres ainda traz algumas incertezas. “Estamos otimistas, mas um pouco cautelosos. Mantemos o guidance, vemos a possibilidade de encerrar o ano mais para a ponta alta, principalmente em lucro”, comentou o executivo.
Ele afirmou que a mensagem principal que ele quer passar é que vai dar continuidade à execução da estratégia do banco entre 2021 e 2025. Dentre elas, ele aponta a renovação do compromisso em relação à eficiência, cujo objetivo é uma economia de R$ 10 bilhões até 2025. Outra estratégia é fortalecer linhas de negócios mais rentáveis, como foco na ampliação da base de clientes.
Neste sentido, também destacou reforçar as estratégias para agronegócios, micro e pequenas empresas, pessoas físicas e comércio exterior, e continuar com planos de desinvestimento.
Outro foco do banco é a transformação digital. “Precisamos acelerar a transformação digital, para sermos digitais na prática”, disse Ribeiro. Essa transformação passa tanto pelo oferecimento de serviços para clientes como processos internos, segundo o executivo.
Inadimplência
O vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do Banco do Brasil, Carlos Bonetti, afirmou que a inadimplência deve subir um pouco ao longo do ano, mas ficará mais baixa do que o esperado originalmente e menor também do que era antes da pandemia, na faixa de 3%, caso a economia evolua de acordo com o que prevê o cenário base da instituição.
“Prever a taxa de inadimplência neste momento é muito difícil, é como prever o dólar, porque há muita incerteza no horizonte, então eu não vou arriscar cravar um patamar. Mas deve ficar abaixo do que era nosso número antes do início da pandemia, na casa de 3% no portfólio total”, comentou.
O presidente do BB disse que o banco já começou a verificar um aumento na inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias), mas afirmou que isso está dentro das expectativas e que a inadimplência geral segue abaixo da média do sistema financeiro. Já Forni afirmou que a inadimplência de pessoa física está crescendo, mas também dentro do imaginado.
A inadimplência geral do BB passou de 1,90% em dezembro para 1,95% em março. Em PF, passou de 2,67% para 2,99%.
Sobre a carteira prorrogada do BB – de clientes que tiveram pausas nos pagamentos em função da pandemia – Bonetti afirmou que ela não deve apresentar grandes problemas.
“É uma carteira bastante sustentável, com ótima qualidade, boa parte são créditos contra o governo, que têm aval da União, fora crédito consignado, de servidores públicos, que não tiveram perda de renda. Em PJ, são empresas que têm um longo tempo de relacionamento com a gente, baixíssimo histórico de inadimplência. Estamos acompanhando rigorosamente a situação de cada uma, a matriz de resiliência, para que tenhamos uma tranquilidade muito grande de olhar para frente e entender não devemos ter grandes problemas com essa carteira, que está com nível de provisão adequado, então não devemos ter nenhum tipo solavanco, na nossa visão”.
A carteira prorrogada do BB era de R$ 113,8 bilhões em março, o que representa 17,1% da carteira de crédito interna. O volume estava distribuído em mais de 2,4 milhões de operações. A inadimplência de mais de 15 dias foi de 2,84% enquanto a de mais de 90 dias foi de 0,86%. Um volume significativo ainda está em carência. No segundo trimestre devem voltar ao fluxo de pagamento R$ 12,6 bilhões e, no terceiro, R$ 7,9 bilhões.
Sobre as provisões para devedores duvidosos, Bonetti afirmou que o BB está colhendo frutos das reservas prudenciais feitas no ano passado e que esses gastos devem continuar em patamar baixo. “As provisões devem ficar na ponta baixa do guidance para este ano”, comentou. Esse guidance vai de R$ 14 bilhões a R$ 17 bilhões, sendo que no primeiro trimestre as provisões somaram R$ 2,536 bilhões.
Sobre o programa de desinvestimentos do BB, Ribeiro afirmou que ele segue em vigor e que o que tem pouco complementariedade, baixa sinergia, pode sim ser vendido.
O presidente do BB, Fausto Ribeiro: possibilidade de fechar 2021 mais para a ponta alta do guidance, principalmente em lucro
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