Caixa vê aumento da inadimplência por “mais um ou dois trimestres”

Pedro Guimarães espera que, após esse período, os atrasos nos pagamentos voltem a patamares mais normais O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta quarta-feira, em teleconferência com jornalistas e analistas, que a inadimplência do banco caiu muito no ano passado em função das pausas nos pagamentos dadas aos clientes por conta da pandemia, mas subiu no primeiro trimestre e deve continuar avançando um pouco, até voltar a patamares mais normais.

“Os atrasos vão aumentar mais um ou dois trimestres até chegar à media anterior”, comentou em teleconferência, afirmando que isso já era esperado e que a inadimplência está sob controle, sendo que o banco conta com um forte índice de cobertura.
O índice de inadimplência da Caixa subiu para 2,04% no primeiro trimestre, de 1,73% no quarto trimestre e 3,14% no primeiro trimestre de 2020.
Na divisão por segmentos, a inadimplência com recursos livres para pessoas jurídicas subiu a 4,93%, de 3,99% e 5,45%. Em habitação, aumentou para 1,81%, de 1,31% e 2,85%. Já em recursos livres para pessoa física, a inadimplência caiu para 4,17%, de 4,63% e 5,89%. Em infraestrutura, houve queda para 0,19%, de 0,25% e 0,55%. E em agronegócio, recuou para 1,51%, de 1,53% e 3,78%.
Pedro Guimaraes, presidente da Caixa: Atrasos vão aumentar mais um ou dois trimestres
Claudio Belli/Valor
Segundo Guimarães, a inadimplência de 15 a 90 dias ficou em 6,89% no primeiro trimestre, de 6,41% no quarto e 9,33% no primeiro trimestre de 2020.

De acordo com o executivo, a alta em inadimplência em PJ não está relacionada ao fim do Pronampe, pois algumas operações dessa linha ainda estão em carência e ela conta com garantias de 85%. “A inadimplência no Pronampe é muito pequena, não há expectativa do banco ter nenhuma perda”.

Ele também afirmou que, em habitação, 100% dos contratos que tiveram pausas já voltaram a ser pagos, mas que leva um tempo para eles entrarem em eventual atraso. Guimarães voltou a reforçar que se trata de uma normalização da inadimplência a partir de patamares extraordinariamente baixos e que o banco não espera nenhuma depreciação significativa na qualidade de crédito, prova disso é que está crescendo fortemente a carteira. No primeiro trimestre, essa carteira habitacional teve alta anual de 10,2%, a R$ 518,4 bilhões. “A linha com juros atrelados ao IPCA é a que tem a menor inadimplência”, afirmou.

Pix diminui receita de serviços da Caixa
Guimarães disse também que a queda de 8,4%, para R$ 5,7 bilhões, das receitas de serviços, no primeiro trimestre ante os três meses anteriores, é devido ao Pix, o sistema de pagamentos instantâneo capitaneado pelo Banco Central. As transferências entre pessoas físicas realizadas pelo Pix não são cobradas, diferente de Ted e Doc.
Ele comemorou, porém, o fato dos 38 milhões de pessoas consideradas “invisíveis” pelo sistema financeiro estarem inseridas no meio digital e além e se tornarem clientes da caixa, fazem transferências via Pix, com benefícios de cunho social. A Caixa registra 31 milhões de chaves cadastradas do Pix.
Guimarães também comentou que outras receitas de serviços devem se recuperar ao longo do ano, com a retomada da atividade, como seguros, cartões e fundos de investimento. “O aumento da Selic tem impacto positivo na captação de diversos fundos”, apontou.
Recorde histórico no próximo trimestre
Guimarães disse esperar que o lucro do segundo trimestre registre um recorde histórico, após um recorde no primeiro trimestre para o mesmo período em outro anos. A Caixa obteve lucro líquido de R$ 4,584 bilhões no primeiro trimestre de 2021, número que representa queda de 19,3% em relação aos três meses anteriores, mas um aumento de 50,3% em relação ao trimestre inicial de 2020.
Segundo Guimarães, o resultado do segundo trimestre deve ser impulsionado pela venda da fatia no banco Pan e o IPO da Caixa Seguridade. “Os resultados com IPO da Seguridade e venda do Pan entram no nosso balanço do 2º trimestre”, disse.
Conforme o banco, o desinvestimento total no Pan resultou em um lucro estimado em R$ 2,0 bilhões, considerando todas as operações desde 2019, e o IPO da Caixa Seguridade movimentou um total de R$ 5,0 bilhões, sendo que o ganho da Caixa com a operação deve atingir R$ 3,3 bilhões.
Preservação de parques e florestas
O presidente da Caixa afirmou ainda que deverá anunciar na tarde desta quarta-feira investimentos para preservação de parques e florestas. “Teremos R$ 150 milhões por ano para reflorestamento de 3 milhões de hectares”, afirmou.
De acordo com o executivo, todos os Estados serão contemplados pela iniciativa, que inclui o plano de aplicação do fundo socioambiental, Caixa Refloresta e o Selo Aliança pelas Águas Brasileiras. Ele deu o exemplo de um parque que visitou recentemente em Rondônia, que foi “desmatado em governos anteriores e será recuperado neste governo”.

Share