Grandes bancos acreditam que agenda ESG não tem mais volta: “Pandemia foi um acelerador”
Para os presidentes dos maiores bancos do país, o tema ganhou ainda mais relevância durante a crise causada pela pandemia Os presidentes dos maiores bancos do país fizeram, na abertura do Ciab Febraban, um balanço sobre os compromissos e ações voltadas para a agenda ESG que, de acordo com eles, ganhou ainda mais relevância durante a crise causada pela pandemia. “A pandemia foi um acelerador, jogou luzes sobre esse tema de forma contundente. Não só pela tragédia da pandemia, mas porque a sociedade em geral não pode mais dar as costas para esse tema”, afirmou o presidente do Bradesco, Octavio Lazari Junior.
Ele ressaltou a importância de que o tema seja não apenas uma pauta constante das discussões do setor, mas que seja incorporado nas estratégias. “Não me lembro nos últimos dois, três anos, de uma única reunião do Bradesco que não tivesse alguns dos itens voltados para esse tema”, disse. “Não só os bancos, mas a sociedade como um todo, empresas pequenas e grandes, todos preocupados, trabalhando e refletindo sobre esse tema. Temos a maior reserva florestal do mundo, que nos olha com muita inveja e preocupação, diz Lazari.
Ana Paula Paiva/Valor/Arquivo
Em sua fala, o presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, lembrou que o Brasil ainda tem desafios importantes na matriz energética. E que avançou pouco, por exemplo, na matriz eólica e solar. E lembrou que o país tem uma matriz energética hidrelétrica, sujeita a todas as intempéries climáticas. “O Brasil fez avanço na matriz eólica e solar, mas continua dependente da hidrelétrica”, lembrou. “A Europa não tem benefício do hídrico, contudo está na segunda geração na transformação no solar.”
O compromisso com a agenda ESG, destacou Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, tem reflexos diretos nos custos de crédito dos clientes. “Quando se incorpora agenda ESG na cultura da empresa, isso acaba acaba gerando retornos financeiros”, diz Sallouti. Ele lembrou que o banco emitiu em janeiro um green bond com o cupom mais baixo já emitido por uma empresa brasileira.
Algumas ações adotadas pelos bancos foram destacadas. O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, disse que o banco fez desembolsos de mais de R$ 50 bilhões para setores de impacto positivo, tem participação em mais de R$ 30 bilhões em ESG bonds, tanto no mercado local quanto internacional. E destacou a participação do banco, junto com o Santander e o Bradesco, do plano Amazônia.
Já o Banco do Brasil disse que deseja utilizar, até 2025, 100% de energia limpa e alcançar R$ 125 bilhões em negócios com agricultura sustentável. “Na nossa carteira, temos R$ 261,3 bilhões de crédito com certificação sustentável, o que representa 30% do nosso crédito”, afirmou Fausto de Andrade Ribeiro, presidente do BB. “O importante é treinar os líderes para que eles deem continuidade a essas ações”, diz.

