Bancos elevam o tom de crítica às fintechs: “Quem precisou de crédito bateu na porta certa”
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, combateu ainda a “percepção equivocada” de que os bancos não gostam de concorrência O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, abriu o congresso de tecnologia bancária CIAB com uma forte crítica às fintechs. Em seu discurso, ele afirmou que, enquanto o Brasil tinha a sua economia caindo 4%, “os bancos, e não fintechs, deram às famílias e às empresas volumes inéditos de crédito”.
Segundo ele, a pandemia de coronavírus trouxe novos desafios, mas quem precisou dos bancos não ficou desassistido. “Quem precisou de crédito bateu na porta certa: a porta dos bancos, que não fecharam um só dia desde o início da crise.” Foram R$ 4,5 trilhões em crédito concedido desde o início da crise. “Demos crédito com taxas de juros menores do que aquelas praticadas antes da crise.”
Ele afirmou ainda que o setor bancário foi líder em doações na pandemia. Quase 30% de tudo que foi doado veio dos bancos, segundo Sidney, um montante de R$ 1,8 bilhão. “Doamos quase R$ 400 milhões para produção e fabricação de vacinas, a nossa esperança de vida.”
Sidney ressaltou que os bancos não só falam de tecnologia, eles fazem inovação. Segundo ele, o setor bancário investe em tecnologia, todo ano, quase R$ 25 bilhões, sendo R$ 2 bilhões em segurança cibernética. “Não temos vergonha de sermos bancos, muito ao contrário, e também não nos escondemos atrás de letras, marketing e grifes.”
O presidente da Febraban afirmou ainda que os bancos não vivem uma “crise de identidade”. “Não somos como alguns que estão crescendo bastante, que já alcançaram o tamanho de bancos, parecem bancos, agem como bancos, mas preferem se dizer apenas empresas de tecnologia. Somos bancos e somos muitos tecnológicos.”
Ele afirmou que virou quase uma lenda urbana a percepção de que empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros (fintechs) são mais inovadoras do que os bancos. “Os bancos sempre estiveram à frente na indústria financeira, mesmo daqueles que, hoje, alardeiam serem os inventores da roda, da inovação e da modernidade.”
O executivo ressaltou que os bancos brasileiros estiveram e continuam na vanguarda da tecnologia bancária mundial. “Não pagamos o auxílio emergencial com cheques pelos correios, mas em milhões de contas digitais”, comentou, se referindo à forma como o auxílio foi pago às famílias nos EUA.
Segundo Sidney, modernizações como chip no cartão de crédito, tokens e biometria foram trazidas pelos bancos, “e não as fintechs e as startups”. “Ser digital, inovador e moderno, e sobretudo seguro e confiável, sempre esteve no DNA dos bancos. Não transigimos com isso.”
Ele apontou que o setor financeiro vive um momento de profunda transformação, sendo que no Brasil isso se reflete no sistema de pagamentos instantâneos Pix e na implementação do “open banking”, que agora o BC chama de “open finance”.
Para o presidente da Febraban, o “marketing” dos bancos é, “cuidar, dia após dia, para que nossos clientes não entrem em aventuras”.
Ele combateu ainda a “percepção equivocada” de que os bancos não gostam de concorrência. Segundo Sideny, a concorrência é fundamental e saudável para todos os setores, inclusive para o bancário. “O setor bancário apoia e, mais do que isso, colabora com a agenda acertada de competitividade que o Banco Central vem adotando, e é favorável a medidas que estimulem a competição e a entrada de novos players, preservando-se a isonomia de regras”. O executivo apontou que concentração e competição são efeitos distintos e não devem ser vistos como causa e efeito.
No fim, Sidney comentou que a chegada das fintechs e dos chamados bancos digitais, que estão dentro da Febraban, é uma realidade. “Esses novos players têm contribuído muito para a eficiência de toda a indústria financeira, com inegáveis ganhos para as pessoas e empresas.”
Ruy Baron/Valor/Arquivo

