Entenda possíveis impactos e benefícios da moeda digital para o setor financeiro
Safra se reuniu com representante do Banco Central para tratar do tema Os bancos ainda serão necessários, apesar do ambiente do CBDC (moedas digitais emitidas por bancos centrais)
Getty Images
Não é provável que a nova moeda digital tenha um impacto negativo sobre os bancos – especificamente sobre os depósitos bancários –, mas o mercado de adquirência e outros intermediários no sistema financeiro podem ser afetados a longo prazo. Por outro lado, a importância de uma moeda digital e seus benefícios para todo o sistema parecem bastante evidentes.
Foi a essa conclusão que os analistas da Safra Corretora chegaram após reunião com Fabio Araujo, coordenador do projeto de moeda digital do Banco Central. Na avaliação dos especialistas, “foi uma boa oportunidade para mergulhar neste tópico recente e entender seus possíveis impactos e benefícios para o setor financeiro”.
Segundo relatório elaborado pelo Safra, havia a preocupação de que o BC pudesse em algum momento criar uma e-wallet, com remuneração em moeda digital, desestimulando o financiamento nos bancos tradicionais. “Não há intenção de o BC criar futuramente uma eventual carteira digital, nem remunerar a moeda digital. Nossa visão é de que o BC não pretende fornecer soluções para o uso da moeda digital, mas apenas controlar o ambiente regulatório. As soluções virão do mercado financeiro”, diz o documento assinado por Luis Azevedo e Silvio Dória.
Na avaliação dos analistas, os bancos ainda serão necessários, apesar do ambiente do CBDC (moedas digitais emitidas por bancos centrais). A intenção do BC não é desintermediar o sistema bancário, que ainda terá papel fundamental em suas funções originais.
“Os bancos ainda devem ter um papel importante em viabilizar a alavancagem do sistema (já que a moeda digital não planeja ter alavancagem sobre ela). Além disso, os bancos terão o papel de fazer o relacionamento com os clientes e garantir a conformidade do sistema (por exemplo, conhecer as necessidades dos clientes, sinalizar riscos de lavagem de dinheiro etc.)”, salientam os especialistas.
Para a Safra Corretora, a moeda digital pode trazer um forte movimento de desintermediação no setor não bancário, principalmente no mercado de adquirência. Conforme os analistas, alguns players, como Visa e Mastercard, já estão bem cientes dessas novas mudanças, chegando mesmo a ter um papel de destaque em alguns países. Entre os exemplos de uso de moeda digital citados no documento estão o pagamento de rodovias e serviços de transporte público, entre outros serviços.
Saiba mais sobre a moeda digital
A moeda digital (ou CBDC, sigla para Central Bank Digital Currency) é uma resposta inevitável dos bancos centrais ao movimento recente de digitalização das transações financeiras e ao crescimento das criptomoedas. Temendo um possível risco sistêmico e perda de influência de suas políticas monetárias devido ao fortalecimento das criptomoedas, os BCs estão trabalhando em projetos para desenvolver suas moedas digitais.
Há países em estágios mais avançados, outros menos, mas o movimento nessa direção parece cada vez mais evidente. Espera-se que o Real digital facilite as transações, tanto nacionais quanto internacionais, como a transferência de propriedade instantaneamente, além de promover a inclusão financeira, a redução da circulação de dinheiro e dificultar as transações ilícitas. Além disso, a moeda digital pode ajudar a manter a eficácia da política monetária, reduzindo os incentivos para a adoção de meios alternativos de pagamento.
“Ainda é cedo para afirmar como vai funcionar, pois os estudos estão no início, mas pode amadurecer para uma evolução natural da plataforma Pix”, pontua o relatório da Safra Corretora.
Na opinião dos analistas, o engajamento do BC nessa questão deve coibir um eventual monopólio privado, como ocorreu em outros países com pagamentos eletrônicos. Atualmente, existem riscos sistêmicos significativos embutidos nos pagamentos eletrônicos da China, que são dominados por apenas dois participantes privados (Alipay e WeChat Pay), diz o relatório do Safra, destacando também que, na Suécia, onde há uma espécie de monopólio de apenas um player privado, existem situações em que os comerciantes já não aceitam pagamentos em papel-moeda.
“Portanto, o BC quer ter um papel de liderança nesta questão e introduzir uma moeda digital para garantir sua soberania e reduzir o risco sistêmico que poderia surgir se um player privado (talvez uma grande empresa de tecnologia) inicie e domine essa nova experiência”, avaliam os especialistas.
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