Manhã nos mercados: Ativos têm sinal positivo à espera de NY; BC e serviços no foco local
À espera de balanços de pesos-pesados em Nova York, os ativos de risco amanhecem registrando desempenhos positivos de maneira generalizada. A tomada de risco é sustentada apesar das preocupações sobre a inflação mais elevada e persistente seguem rondando os mercados na esteira da crise energética global — os preços do petróleo hoje, por exemplo, voltam a saltar. Investidores avaliam que as empresas têm sido capazes, no geral, de incrementar lucros mesmo diante de maiores pressões de custo.
Morgan Stanley, Citigroup e Wells Fargo estão entre os que publicarão seus resultados do terceiro trimestre antes da abertura. O Bank of America anunciou lucro de US$ 0,85 por ação, acima da estimativa de US$ 0,71.
Na agenda de indicadores, vale destacar o índice de preços ao produtor de setembro nos Estados Unidos, depois que a inflação ao consumidor americana exibiu, na véspera, um esfriamento do núcleo (medida que capta a tendência de preços, excluindo itens voláteis como alimentos e energia). Internamente, os serviços devem ter crescido 0,5% em agosto, ante 1,1%, diz o Valor Data. Os últimos dois dados de atividade econômica, de produção industrial e vendas no varejo, vieram bem abaixo das expectativas, refletindo os impactos da escassez de oferta e alimentando receios sobre a desaceleração da atividade.
Além disso, o Banco Central oferece aos agentes mais sinais de pró-atividade no mercado cambial. Com o real descolado dos pares ontem mesmo com o dólar se enfraquecendo globalmente, o BC leiloou 20 mil contratos de swap cambial (o equivalente a US$ 1 bilhão) em oferta extraordinária. De quebra, anunciou certame extra para hoje entre 9h30 e 9h40, com o mesmo volume a ser ofertado de novos swaps.
“Quando avaliamos o desempenho em relação aos fatores cíclicos, o real claramente teve um ‘overshooting’ (perdendo para seus pares em mais de 20%) – seguido pelo peso chileno”, avalia a equipe de macro estratégia em América Latina do Deutsche Bank. “No caso do real, a sazonalidade no final do ano é outro obstáculo a ser considerado. Nesses níveis, consideramos o prêmio excessivo, mas recomendamos manter posição tática.”
Ponto de atenção:
Mudança em ICMS — Com os crescentes preços de combustíveis se tornando uma preocupação global, a Câmara dos Deputados aprovou, ontem à noite, um projeto de lei do governo que prevê uma alteração na forma de cobrança do ICMS sobre gasolina, etanol e diesel. O objetivo é reduzir a volatilidade dos preços e reduzi-los em 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro buscará a reeleição. Mas também pode ser gerado o efeito inverso para o próximo governo, com a manutenção artificial de um preço mais alto, informa o Valor.

