BC analisa implantar remuneração de contas de liquidação, de reservas bancárias e de moedeira eletrônica
Diretor de política monetária avalia que alteração poderia gerar benefícios como na disponibilidade na conta de pagamento instantâneo e no funcionamento do Pix O diretor de política monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra Fernandes, afirmou nesta quinta-feira (14) que a instituição analisa implantar a remuneração “de contas de liquidação, contas de reservas bancárias e contas de moedeira eletrônica”. A medida faz parte da “base legal” criada para a implantação depósitos voluntários remunerados.
“O que está em avaliação no Banco Central é, em linha com a base legal que nos foi dada, fazer uma regulação para tomar depósitos voluntários remunerando excedentes de reserva bancária e a conta de moedeira eletrônica“, disse no 11º Congresso Internacional de Gestão de Riscos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
“Acho que isso teria um benefício de gerar disponibilidade na conta de pagamento instantâneo, disponibilidade de funcionamento do Pix nos horários em que o sistema financeiro não está funcionando. Também ajuda na fluidez do sistema de pagamentos e poderia no limite substituir uma parte dos depósitos compulsórios à vista”, afirmou.
Linhas financeiras de liquidez
Serra disse que tem escutado “críticas e comentários dos dois lados” sobre os preços das Linhas Financeiras de Liquidez (LFL). As LFL são uma nova fonte de recursos para as instituições financeiras, que darão títulos privados à autoridade monetária como garantia.
O diretor relatou que ouviu críticas sobre o preço “relativamente barato” das Linha de Liquidez a Termo (LLT), que têm prazo de até um ano, mas também reclamações de que a Linha de Liquidez Imediata (LLI), com duração de até cinco dias, “está muito cara”.
“Ouvir argumentos dos dois lados é um bom sinal”, afirmou. Ele também disse que o BC pretende incorporar, de maneira “relativamente” rápida, novos ativos como garantias para uma segunda etapa de implantação das LFL. Segundo o diretor, essa segunda etapa “deve incluir o módulo leilão” e permitir que Cédulas de Crédito Bancário (CCB) sejam usadas como garantia. A autoridade monetária também vem estudando o uso de “ativos sustentáveis” como garantia.
Depósitos voluntários
Sobre o volume de depósitos voluntários remunerados, Serra destacou que não deve se aproximar do montante de operações compromissadas. “Pela estrutura de mercado atual, não dá para imaginar nada parecido.”
Segundo ele, os depósitos voluntários estão em R$ 230 milhões, enquanto as compromissadas estão no patamar de R$ 1,2 trilhão. “São ordens de grandeza distintas”, afirmou.
Liquidez mundial pós-pandemia
Serra comentou ainda que vê “com naturalidade” a diminuição da liquidez mundial pós-pandemia. “Está todo mundo precisando retirar esse estímulo [implantado durante a pandemia], disse.
Segundo ele, o contexto “é desafiador”, mas o BC está se “preparando para isso” e o “Brasil está bem colocado” para lidar com essas mudanças, mais do que em outras ocasiões.
“Talvez até por razões não muito boas”, disse, citando o volume “não tão grande” de investimentos estrangeiros no país, o câmbio e as transações em conta corrente “perto do equilíbrio”.
Para Serra, a tendência é que o efeito preço, por meio do encarecimento do crédito, seja “o mais relevante” para o Brasil.

