BCE garantiu resiliência para setor bancário europeu na pandemia, diz presidente

Christine Lagarde destaca que diferente das crises anteriores, a pandemia da covid-19 teve o setor bancário como parte da solução, e não do problema A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou no Fórum de Supervisão Bancária nesta terça-feira (09) que os bancos europeus só conseguiram encarar a pandemia e contornar o problema até agora porque estavam bem supervisionados antes da crise.

“Desde 2014, os índices de patrimônio líquido aumentaram de cerca de 12% para mais de 15%. E créditos de cobrança duvidosa diminuíram cerca de 50%. Esse foco na resiliência significou que o setor entrou na pandemia em uma posição robusta”, afirmou.

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Entre as medidas, Lagarde cita a retirada de barreiras prudenciais para que os bancos pudessem liberar o fluxo de crédito para as economias. “Entre março e maio de 2020, os empréstimos bancários a empresas na área do euro aumentaram quase 250 bilhões de euros, o maior salto já registrado em um período de três meses”, disse Lagarde.

Do mesmo modo, a chefe do BCE diz que a recomendação de suspensão do pagamento de dividendos pelos bancos ajudou a manter liquidez no setor e evitou fuga do dinheiro para outras áreas não necessárias. “Os bancos que não distribuíram dividendos aumentaram os seus empréstimos em cerca de 2,4% e as suas provisões em cerca de 5,5%”, disse.

Segundo Lagarde, diferente das crises anteriores, a pandemia da covid-19 teve o setor bancário como parte da solução, e não do problema. “Os bancos não estavam apenas em uma posição financeira sólida para resistir ao choque pandêmico, mas também puderam ajudar a fortalecer a resposta comum à crise”, disse a presidente, comentando particularmente o ambiente das instituições financeiras europeias.

A avaliação é que a pandemia foi o primeiro teste real do BCE, para mostrar que consegue agir de forma tão eficaz como uma autoridade nacional. “Ter um único supervisor significou que uma ação coletiva ousada pode ser tomada para reduzir os movimentos naturais dos bancos de recuar e cortar os empréstimos para a economia durante uma recessão.”

Lagarde disse ainda que agora os bancos devem seguir atentas ao período de recuperação das economias, olhando para os ativos e também se atentando a questões como a digitalização e o meio ambiente. “Os bancos precisam agir agora para estarem preparados para uma economia neutra em carbono até 2050. Eles precisam adaptar suas estratégias e práticas de gestão de risco para garantir que seus modelos de negócios sejam resilientes no curto, médio e longo prazo.”

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