Positivo busca ampliar fatia em mercados que somam R$ 20,4 bilhões
Empresa mira as áreas de aluguel de equipamentos, educação, dispositivos de casa inteligente e máquinas de pagamentos Disposta a avançar em mercados que vão além das vendas de computadores e dispositivos móveis, a Positivo Tecnologia mira um mercado potencial de R$ 20,4 bilhões no país com suas avenidas de crescimento, que incluem aluguel de equipamentos, educação, dispositivos de casa inteligente e máquinas de pagamentos.
Até 2026, o mercado total destes segmentos somará R$ 28 bilhões, informou nesta quarta-feira (24) a empresa em evento para analistas, citando dados da consultoria IDC e outras pesquisas.
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Nos nove meses de 2021, a receita bruta da companhia com as áreas de crescimento foi de R$ 462 milhões. “Desde 2017, avenidas de crescimento avançaram de 6% para 19% da receita bruta da companhia”, destacou Alexandre Dias, presidente do conselho de administração da Positivo.
Os mercados maiores são os de serviços, com potencial de R$ 8 bilhões, este ano, no país, e o de tecnologias de pagamento, que somará R$ 6 bilhões este ano. Em outubro, a empresa ampliou o fornecimento de máquinas de pagamentos inteligentes, além da Cielo, ao fechar um contrato com a Stone e mira 15 potenciais clientes incluindo fintechs, adquirentes e subadquirentes.
Com 3% de participação de mercado em máquinas de pagamentos, a Positivo aposta nos modelos inteligentes com tela maior e sistema operacional de smartphone para download de aplicativos. A categoria representa 7% do mercado total de 10 milhões de maquininhas que serão vendidas este ano, e há espaço para avançar.
A empresa também busca abrir um espaço em serviços, incluindo manutenção de máquinas, que deve saltar de R$ 8 bilhões para R$ 10 bilhões no país até 2026. A receita bruta acumulada da Positivo neste segmento foi de R$ 53 milhões de janeiro a setembro.
A maior parcela de receita bruta da empresa entre as avenidas de crescimento está nas vendas de servidores, que geraram R$ 257 milhões de janeiro a setembro O mercado total deve avançar de R$ 2,5 bilhões para R$ 4 bilhões até 2026.
“O 5G será uma alavanca potente na área de negócios corporativos”, disse Rodrigo Guercio, vice-presidente de negócios corporativos da Positivo Tecnologia, durante o evento. Uma das novidades em servidores é uma máquina corporativa para computação de borda (edge computing).
O aluguel de equipamentos ou hardware as a service (HaaS na sigla em inglês), que gerou uma receita bruta de R$ 49 milhões, também é uma avenida de crescimento importante para a empresa, potencial de mercado de R$ 780 milhões, em 2021, para R$ 2,45 bilhões nos próximos cinco anos.
Serviços e servidores são caminhos para a Positivo aumentar a participação da receita da área corporativa dos atuais 20% para 30% em cinco anos, reduzindo a dependência do varejo e de licitações públicas, que geram, respectivamente, 50% e 30% do resultado bruto da empresa.
Em outubro, a empresa faturou R$ 1,7 bilhão em contratos com o setor público. O potencial de licitações em andamento soma R$ 6,7 bilhões, informou a companhia.
Crise de componentes
Com dois escritórios na China, em Shenzen e Taipei, e muita negociação, a Positivo Tecnologia informou não ter perdido participação de mercado por conta da crise global de componentes, que afeta as indústrias globais de eletroeletrônicos e automóveis.
“O acesso à cadeia global de hardware nos dá vantagem competitiva”, disse Helio Rotenberg, presidente da Positivo Tecnologia em evento a investidores. “Passamos pela crise de componentes melhor do que muita gente”.
A escassez de itens como telas de LCD e mesmo pequenos componentes de controle de distribuição de energia que custam centavos de dólar, parece estar longe de acabar.
“A falta de componentes pode durar até meados de 2023”, previu o vice-presidente de operações da empresa, Maurício Roorda, durante o evento.
Citando projeções da consultoria IDC, Rotenberg destacou que o mercado global de computadores chegou ao maior volume de vendas em dez anos. A projeção da IDC é de 347 milhões de máquinas vendidas no mundo, alta de 14,8% sobre 2020. O Brasil representará 2,5% do mercado global, com 8,7 milhões de PCs vendidos este ano.
“As vendas de 2021 só não batem pico de 2011, quando o Brasil vendeu 16 milhões de unidades, representando 4,4% do global”, disse o executivo.
O resultado ajudou a elevar a projeção de receita bruta para o ano a um intervalo entre R$ 3,9 bilhões e R$ 4,1 bilhões, que pode superar em até 57,7% o resultado de 2020.
Na área de consumo, que representa metade de sua receita bruta, a Positivo amplia sua oferta de produtos para as classes A e B com novas marcas parceiras como a chinesa Infinix, para smartphones, anunciada em novembro.
“Queremos atuar em todos os públicos de consumo, incluindo classes A e B”, disse Norberto Maraschin, vice-presidente de negócios de consumo e mobilidade da companhia.
Em dispositivos de automação para casas inteligentes, que incluem lâmpadas conectadas, a empresa integra um mercado que vai quase dobrar de R$ 1,1 bilhão para R$ 2 bilhões, em cinco anos.
Os dispositivos de automação também são uma forma de atrair consumidores das classes A e B, que representam 70% dos 274,8 milhões de clientes desta linha de produtos, sendo 520 mil novos usuários desde 2019.
A empresa também aumentou a participação das vendas on-line de 25%, em 2019, para 55% este ano, incluindo canais digitais próprios, de varejistas e marketplaces.

