PIB brasileiro cai 0,1% no terceiro trimestre, mostra IBGE

Em relação a igual período de 2020, economia do país registrou crescimento de 4% O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro diminuiu 0,1% no terceiro trimestre de 2021, em comparação aos três meses antecedentes, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. A Agropecuária caiu 8%, a Indústria ficou estável e os Serviços aumentaram 1,1%.
O período de julho a setembro foi marcado pelo avanço da vacinação no país, que permitiu uma atividade maior no setor de serviços, mas também pelo aumento da inflação e das taxas de juros.
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A mediana das estimativas colhidas pelo Valor Data junto a consultorias e instituições financeiras apontava para estagnação no terceiro trimestre. As projeções iam de queda de 0,6% a alta de 0,3%. Em valores correntes, o PIB do terceiro trimestre totalizou R$ 2,2 trilhões, sendo R$ 1,9 trilhão em Valor Adicionado a preços básicos e R$ 334,3 bilhões em Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.
Sobre o mesmo trimestre de 2020, houve crescimento de 4%, dado beneficiado pela baixa base de comparação. A expectativa do mercado era, contudo, de expansão de 4,2%. Em 12 meses, o PIB brasileiro acumula alta de 3,9%.
A variação na série com ajuste sazonal veio em linha com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma aproximação do PIB, que teve retração de 0,1% no terceiro trimestre contra o segundo.
O IBGE também revisou o PIB do segundo trimestre, que cedeu 0,4% frente aos três primeiros meses do ano, ante queda de 0,1% divulgada anteriormente.
Os resultados do PIB anunciados nesta quinta-feira já incorporam a atualização e reponderação da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, anunciados esta semana.
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Agropecuária
Após alta expressiva no início de 2021, o PIB do setor agropecuário apresentou queda de 8% nos três meses até setembro, seguindo baixa de 2,9% no segundo trimestre (dado revisado de recuo 2,8% divulgado inicialmente).
O resultado veio bem pior do que a retração mediana de 2,5% prevista por analistas de consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data.
Em comparação ao terceiro trimestre de 2020, o PIB do setor caiu 9%.
Indústria
O PIB da indústria teve ficou estável no período de julho a setembro, em relação aos três meses antecedentes. A mediana das estimativas apuradas pelo Valor Data apontava para retração de 0,6%.
Em comparação ao terceiro trimestre de 2020, o PIB industrial cresceu 1,3%.
No segundo trimestre, a indústria teve expansão de 16,6%.
No PIB, a indústria engloba, além do setor manufatureiro e extrativo, a construção civil e a produção e distribuição de energia e gás.
Serviços
O desempenho do setor de serviços, que engloba comércio, intermediação financeira e serviços de utilidade pública (eletricidade, água e esgosto, etc.) no terceiro trimestre foi marcado por uma expansão de 1,1%, coincidindo com a mediana das estimativas apurada pelo Valor Data.
No segundo trimestre, o setor teve expansão de 0,6% frente aos três meses anteriores. O dado foi revisado pelo IBGE, já que tinha sido divulgada anteriormente alta de 0,7%.
Em comparação ao terceiro trimestre de 2020, o PIB do setor de serviços cresceu 5,8%, sob influência da base de comparação baixa.
Demanda
Consumo
O consumo das famílias avançou 0,9% no terceiro trimestre, perante os três meses anteriores. O resultado ficou ligeiramente acima das previsões coletadas pelo Valor Data, que esperavam crescimento de 0,8%, na mediana.
Em relação ao terceiro trimestre de 2020, o consumo das famílias subiu 4,2%.
No segundo trimestre, frente ao primeiro trimestre, o consumo das famílias havia caído 0,2% (dado revisado de estabilidade divulgado anteriormente).
Já o consumo do governo subiu 0,8% no período entre julho e setembro, frente aos três meses imediatamente anteriores, feitos os ajustes sazonais. O desempenho foi acima do previsto na mediana das projeções do Valor Data, de alta de 0,7%.
Em relação a igual período de 2020, o aumento nos gastos da administração pública foi de 3,5%.
No segundo trimestre, o consumo do governo cresceu 0,9% ante o trimestre anterior (dado revisado de elevação de 0,7% divulgado anteriormente), feito o ajuste sazonal.
Formação Bruta de Capital Fixo
Medida dos investimentos dentro do PIB, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 0,1% entre julho e setembro, depois de baixa de 3% no segundo trimestre (dado revisado de recuo de 3,6%).
A média das projeções coletadas pelo Valor Data apontava para queda de 2,5% dos investimentos.
Ante o terceiro trimestre de 2020, a Formação Bruta de Capital Fixo aumentou 18,8%, sob influência da base de comparação baixa. Os investimentos acumularam, desta forma, crescimento de 20,2% nos 12 meses até setembro.
Setor externo
As exportações de bens e serviços registraram desempenho negativo no terceiro trimestre. As vendas do Brasil ao exterior recuaram 9,8% de julho a setembro, em relação ao período de abril a junho, na série com ajuste sazonal. No segundo trimestre do ano, as exportações tinham avançado 13,7% (dado revisado ante aumento de 9,4% divulgado anteriormente).
A mediana das projeções coletadas pelo Valor Data era de retração de 10,5% nas exportações.
De acordo com dados do IBGE, as exportações tiveram avanço de 4% frente ao terceiro trimestre de 2020.
As importações, por sua vez, caíram 8,3% ante o segundo trimestre, quando tiveram recuo de 1,3% frente ao primeiro trimestre (dado revisado da retração de 0,6% divulgada anteriormente). O resultado veio pior do que a média das projeções coletadas pelo Valor Data, que apontava decréscimo de 4,2% das importações.
Em relação ao terceiro trimestre de 2020, houve expansão de 20,6% das compras de bens do exterior.

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