Golpe via WhatsApp usa dados vazados e pede dinheiro a parentes da vítima
WhatsApp e golpe: uma mistura que gera muitas dores de cabeça aos brasileiros. Uma das armações de golpistas envolve a imitação do perfil de um parente próximo. O criminoso se passa por sua mãe, pai ou irmão, avisando que o celular foi danificado em uma queda, ou molhou, e que o levou para a revisão técnica. No meio tempo, o criminoso usa um número provisório e afirma que não consegue logar no app do banco, pedindo para a vítima fazer transferências em seu nome.
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WhatsApp tem golpe em que vítima é contatada por criminoso que “imita” perfil de um familiar. saiba como evitá-lo (Imagem: William Iven / Unsplash)
“Meu celular foi danificado e seguiu para a revisão técnica”
Essa situação é bem comum e provavelmente você conhece alguém que já passou por esse golpe de imitação. Eu mesmo sofri esse golpe na semana passada, quando um golpista bloqueou meu acesso ao WhatsApp por meio de mensagens mal-formatadas, enviadas em sequência, para travar o app e torná-lo inoperável. Em seguida, ele copiou minha foto de perfil, e abordou familiares dando esta desculpa:
Meu celular foi danificado em uma queda e eu o levei para a assistência técnica. Daqui a 2 a 3 dias o técnico me disse que ele fica pronto.
O golpista só não contava que eu estivesse literalmente do lado da pessoa que recebeu essa mensagem.
A engenharia social por trás desses golpes envolve abordar a pessoa com a última foto de perfil usada pela vítima e usar o grau de parentesco correto para ganhar a sua confiança. Dessa forma, dá pra disfarçar (bem ou mal) a troca de número repentina. Dizer que “o celular caiu e ficou danificado” e “molhou e não tem conserto” acaba passando desapercebido quando o golpista usa “pai”, “mãe” ou “amigo”.
Outra característica comum do golpe é tentar manter uma conversa normal. Algumas mensagens são trocadas como se você realmente estivesse conversando com seu parente. Mas não permanece assim por muito tempo: o golpista pede então que seja feita uma transferência bancária, porque o app do banco não está “funcionando” no novo número.
Muitos golpistas pedem direto pelo Pix. Foi o meu caso e com certeza o de muitos outros brasileiros que já se depararam com essa situação. Transações fraudulentas são motivo de preocupação para as próprias instituições financeiras, e algumas já apresentam seguro contra fraudes do Pix. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) também possui uma cartilha contra golpes que usam a opção de pagamento instantâneo.
Golpe do WhatsApp usa dados de rede sociais da vítima
Mas como é possível o golpista saber o grau de parentesco da vítima com aquela pessoa que ele está conversando? Isso está relacionado a duas coisas:
Vazamentos de dados: muitos de nós temos dados como e-mail, número de celular, RG e CPF em algum lugar da internet. Alguns sites sofrem brechas que acabam disponibilizando essas informações pessoais para a internet. E quem procura, acha.Rede sociais: provavelmente a maioria de nós também tem fotos com parentes e amigos. Sua mãe ou seu pai já comentaram em uma foto sua, ou já deram parabéns pelo seu aniversário?

