Visão negativa sobre América Latina é fake news, diz presidente do grupo espanhol Santander

Ana Botín destacou ainda que a região viveu nos últimos anos grandes avanços e uma revolução das fintechs A presidente do grupo espanhol Santander, Ana Botín, afirmou que muitos analistas estão pessimistas com as perspectivas para a América Latina no próximo ano, mas que ela segue otimista. Em encontro com jornalistas da região, ela disse que essa visão negativa é uma “fake news” e que houve grandes avanços nos últimos anos e décadas.

“A região enfrenta desafios econômicos, políticos e sociais importantes, mas eu sou otimista, porque a sociedade conta com recursos, com capital social e humano, e tem experiência para conseguir melhorar seu bem-estar”, comentou. Ela ressaltou o compromisso de várias décadas do Santander com a América Latina, trazendo crédito e inovação. “Essa história de que a América Latina é o continente do futuro, e sempre será, é uma grande mentira. Houve muitos avanços nas últimas décadas. Em 30 anos a região tirou 60 milhões de pessoas da pobreza”.

Ana Botín também comentou que a região vive nos últimos anos uma revolução das fintechs, uma área de grande crescimento e inovação, e que isso também é reflexo do potencial da América Latina. Ela admitiu que a inflação elevada é um problema global, e que a região pode acabar sofrendo mais. “Os países da região sabem a importância da estabilidade de preços e da sustentabilidade fiscal”.

A executiva ressaltou que o crescimento da América Latina depende basicamente de três fatores: do desempenho da economia global, que deve ficar entre 3% e 3,5% no próximo ano. dos preços das commodities, que deve se manter elevado. e dos juros dos títulos dos EUA, que apesar da tendência de alta continuarão em patamares historicamente baixos. “A maior parte das projeções diz que o PIB da América Latina deve alcançar o nível pré-pandemia em 2023”.

Ele afirmou que nos próximos três anos o Santander vai investir 6 bilhões de euros em tecnologia na América Latina. Ela reforçou e importância de programas de microcrédito, como o brasileiro Prospera, e dos financiamentos destinados a empreendimentos liderados por mulheres. Lembrou da meta do banco de empoderar 10 milhões de empreendedores antes de 2025, sendo que desde 2019 já foram beneficiados 6 milhões. E mencionou que a carteira digital Superdigital tem a meta de atingir 5 milhões de clientes até 2023.
Presidente no Brasil
Ana Botín afirmou que a principal missão de Mário Leão – que substituirá Sérgio Rial no comando da unidade brasileira no início do próximo ano – será integrar sistemas e produtos em uma plataforma única, priorizando uma boa experiência do cliente. Ela lembrou que vários países da América Latina estão implementando projetos de open banking e que o banco deve aproveitar essas iniciativas pioneiras para melhorar suas ofertas.
Ela afirmou que Rial construiu uma grande equipe e isso permitiu ao banco ter uma sucessão interna “magnífica”. “A missão de Leão é seguir o que Sérgio e a equipe construíram, como foco no serviço ao cliente, para que ele possa operar com o Santander o que precisa no momento que preferir, pelo canal que preferir”.
Sobre a temática de padrões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), ela disse que o banco trabalha nesse tema há 15 anos e está entre os três maiores do mundo em financiamento verde. “O Brasil sempre está na vanguarda e é uma referência para nós nesse tema. Estamos trabalhando para ajudar nossos clientes a fazer a transição. Não dá para chegar ao ‘net zero’ em um salto, é um processo gradual, que requer investimentos, assessoramento. Nós já estamos fazendo e vamos ampliar ainda mais, incluindo no Brasil”.
Questionada sobre a situação macroeconômico atual do Brasil, ela disse que o movimento de queda dos ativos e depreciação cambial pode ser uma oportunidade de investimento. “Muitos disseram que estávamos equivocados quando adquirimos o Banespa em 2015, e agora ninguém questiona nossa estratégia no Brasil. Temos apostas de longo prazo. As crises são transitórias. Há altos e baixos, mas a trajetória é de melhora. O Brasil tem um mercado grande, com enorme potencial humano, e recursos naturais”.
Rial afirmou que a aquisição do Banespa provou que, com uma estratégia de longo prazo e boa gestão, o Brasil é um “belíssimo lugar para se investir”. Já Leão ressaltou o papel do Santander em conectar investidores, principalmente europeus, mas também asiáticos, com projetos de infraestrutura no Brasil.
Sobre as perspectivas para os próximos anos, Ana Botín afirmou que a velocidade da recuperação da economia brasileira dependerá da capacidade do governo de mostrar seu compromisso com a busca do equilíbrio fiscal e a agenda de reformas para apoiar o investimento privado. “Nós vamos nos adaptando, temos de ter flexibilidade para enfrentar o que vai ocorrendo. Mas o banco tem uma tendência positiva de crescimento, conquistamos 1 milhão de clientes no Brasil só em novembro. O potencial é enorme, aconteça o que for com a economia. Óbvio que, com o país crescendo mais, é melhor, mas de fato a previsão é de desaceleração para a economia no próximo ano”.

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