Negócios de antecipação de recebíveis são a grande prioridade da companhia, diz CEO da Cielo
Gustavo Sousa destaca ainda que o Pix está sendo utilizado, principalmente, em transferências e que ainda não é observado como um impacto no mercado de cartões O CEO da Cielo, Gustavo Sousa, disse nesta quinta-feira (03) que os negócios de antecipação de recebíveis são a grande prioridade da companhia. Ele destacou que o ambiente de custo financeiro mais elevado é uma realidade para todos os participantes da indústria e que a empresa tem mostrado que, mesmo nesse cenário, consegue promover a expansão dos produtos de prazo.
Sousa afirmou ainda que o incremento da oferta de crédito — por meio, por exemplo, do chamado crédito “fumaça”, garantido pelo fluxo futuro de recebíveis de cartões — está nos planos da companhia, mas que a iniciativa ainda está em estudo.
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“Observamos os movimentos da concorrência e estamos reformulando a nossa atuação para que a gente não erre também. Com certeza isso está nos nossos planos [crédito]. Não estamos com produto pronto para lançar, mas a gente está pensando em como também atuar junto aos nossos clientes com mais essa alternativa”, disse.
Atualmente, a companhia trabalha com produtos de antecipação de recebíveis que têm risco muito pequeno de crédito, frisou. Nesse ponto, não é afetada por eventuais flutuações na inadimplência, completou.
Sousa participou de coletiva para detalhar os resultados do quarto trimestre, divulgados na quarta-feira (02). A companhia obteve lucro líquido de R$ 336,9 milhões no último trimestre de 2021, uma alta de 13% na comparação com o mesmo período de 2020.
No mesmo período, o volume processado pela Cielo nas operações de cartão de débito somou R$ 86,3 bilhões, recuo de 0,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Sousa disse que a queda no volume financeiro de transações de débito verificada no quarto trimestre reflete uma normalização após o aumento do uso do meio de pagamento no início da pandemia. Na sua visão, não é explicada, portanto, por um avanço do Pix.
O executivo afirmou que o instrumento de pagamento instantâneo está sendo utilizado, principalmente, em transferências e que ainda não está sendo observado um impacto no mercado de cartões.
Sobre a queda na base de clientes, afirmou que cerca de 90% do decréscimo veio de empreendedores, segmento no qual a companhia não está mais focada. Segundo a Cielo, a principal razão para o recuo da base é a suspensão na política de concessão de subsídios para terminais de captura (POS) na modalidade de venda, que impacta principalmente as afiliações de empreendedores.
“Queremos voltar a crescer no segmento do varejo e com rentabilidade trazida pelos produtos de antecipação”, explicou.
Maquininha da Cielo
Imagem retirada do Twitter / Cielo
Reprecificação de produtos
Sousa destacou ainda que frente ao aumento do custo de captação, a companhia já deu início a um movimento de reprecificação de produtos e que isso tende a ser uma realidade também para a concorrência.
“Quando há um ciclo de aperto monetário é natural que você tenha um encarecimento de todo produto, seja de antecipação [de recebíveis] seja de crédito”, disse em teleconferênca para comentar os resultados do quarto trimestre de 2021.
Sousa acrescentou que há uma nova realidade de custo financeiro e que, pelo que tem acompanhado de declarações públicas, isso deve fazer parte das decisões também de outras empresas do setor. “A gente está com esse posicionamento de que é um fato, tem que haver reprecificação e já começamos o ano fazendo esses movimentos.”
O executivo afirmou ainda que o funcionamento do novo sistema de registro de recebíveis já está “muito perto de uma estabilidade”, mas que ainda não são observados efeitos de competição para a companhia. Ele havia sido questionado sobre o impacto que o sistema pode ter sobre o acirramento da concorrência e na estratégia de reprecificação da empresa.

