Nível de endividamento deve continuar acima dos 70%, diz CNC
Percentual de famílias inadimplentes atingiu 26,4% em janeiro, ante 26,2% em dezembro, maior taxa desde agosto de 2020 e para o primeiro mês do ano na série histórica O endividamento das famílias deve continuar elevado e acima dos 70%, apesar de janeiro ter registrado o primeiro recuo após 13 altas e se esperar alguma redução na margem nos próximos meses. A avaliação é de Izis Ferreira, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a parcela das famílias endividadas ficou aos 76,1% em janeiro, nível 0,2% inferior a dezembro 76,3%), mês que havia registrado o maior patamar na série histórica, iniciada em janeiro de 2010.
Segundo Izis, no atual contexto, de juros e inflação altos, também não há mais espaço para aumento do comprometimento. “A gente tem expectativa que o endividamento vá se moderando lentamente, reduzindo para níveis menores que no ano passado. A gente espera que essa alta dos juros e essa alta da inflação continuem impactando, principalmente nessa primeira metade do ano, num menor contingente de famílias endividadas, comentou a economista.
Parcela das famílias endividadas ficou aos 76,1% em janeiro, 0,2% inferior a dezembro, mês com maior nível na série histórica
Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
As famílias estão muito endividadas, não tem mais espaço para se endividar. Mas o endividamento ainda vai ficar alto, acima dos 70%, 71%, que foi a média de 2021”, acrescentou.
Já a inadimplência ainda deve continuar avançando, segundo a economista, por conta também do contexto macroeconômico, que dificulta o pagamento das dívidas. “A tendência é de inadimplência mais alta este ano. Podemos ver o índice de contas em atraso atingir a máxima e também aumento nas famílias que percebem não vão ter condições de pagar suas contas já em atraso”, afirma.
O percentual de famílias inadimplentes atingiu 26,4% em janeiro, ante 26,2% em dezembro, maior taxa desde agosto de 2020 e para o primeiro mês do ano na série histórica. O índice considera famílias que relataram ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa).
Um dos pontos que chama a atenção na pesquisa é o alongamento dos prazos de endividamento. Em janeiro de 2022, mais de um terço (35,8%) dos consumidores que se diziam endividados tinha mais de um ano de tempo de comprometimento. O recorde da série histórica da pesquisa foi de 36,3%, em dezembro de 2021.
“Os números mostram que quem está buscando empréstimo vai atrás de mais prazo, para conseguir parcelas menores, ou então que há um processo de renegociação de prazos. E isso com juros maiores”, destaca Izis Ferreira.

