Paralisação de servidores do BC afeta serviços
Mesa de monitoramento do sistema de pagamentos teve de ser transferida temporariamente de São Paulo para Brasília A paralisação de quatro horas dos servidores do Banco Central (BC) na manhã de ontem gerou atrasos em serviços não essenciais, como publicações e atendimento ao público. Além disso, a mesa de monitoramento do sistema de pagamentos teve de ser transferida temporariamente de São Paulo para Brasília, segundo apurou o Valor.
Após o término da mobilização, por volta do meio-dia, o departamento de operações bancárias e de sistema de pagamentos do BC informou em comunicado interno que a função havia retornado para a sede do BC na capital paulista.
As instituições jurisdicionadas no Centro de Monitoramento em São Paulo, que tiveram seu monitoramento transferido para Brasília, voltam a ser monitoradas por São Paulo, apontou o documento, enviado por e-mail para funcionários do setor, ao qual o Valor teve acesso.
Segundo fonte, que preferiu se manter anônima, não houve prejuízo efetivo, mas elevação de risco operacional.
Com quantidade menor de pessoas monitorando o sistema, aumenta a exposição caso haja algum incidente.
O monitoramento foi transferido para Brasília porque os servidores não quiseram comprometer o sistema de pagamentos e fizeram um acordo interno para migração temporária do serviço. Procurado pela reportagem, o Banco Central afirmou que não iria fazer comentários.
A divulgação da Taxa Básica Financeira (TBF), do Redutor R e da Taxa Referencial (TR), que serve como referência para o cálculo da remuneração da poupança e de algumas linhas de financiamento imobiliário, também foi afetada e sofreu atraso.
Normalmente, a publicação é feita por volta de 9h, mas ontem só foi feita após o fim da paralisação, pouco depois do meio-dia.
De acordo com o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), a paralisação, que foi virtual, sem ato presencial, contou com adesão acima de 50% do quadro, que tem 3.478 funcionários atualmente. A expectativa era de adesão de 65%.
A entidade afirmou ainda que a categoria aprovou indicativo de nova paralisação para o dia 24 de fevereiro.
Já obtivemos a sinalização de uma nova reunião com o presidente do BC na próxima semana, afirmou o presidente do sindicato, Fábio Faiad.
A primeira paralisação dos servidores do Banco Central foi realizada em 18 de janeiro, com duração de duas horas.
Os servidores pedem reajuste e reestruturação da carreira. Eles começaram a se mobilizar após o Congresso Nacional aprovar previsão de reposição apenas para policiais federais no Orçamento de 2022 – medida que contou com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL).
No Banco Central, o salário inicial sem comissão) para nível superior, que são os analistas, é de R$ 19.197,06 e pode chegar a R$ 27.369,67 no último nível da carreira.
Os procuradores (que integram a área jurídica do BC) ganham entre R$ 21.014,49 e R$ 27.303,70. Para nível médio, que são os técnicos, a remuneração começa em R$ 7.283,31 e vai até R$ 12.514,58.
Os servidores afirmam que não descartam a possibilidade realização de uma greve por tempo indeterminado a partir de 9 de março caso o governo federal não dê uma resposta concreta até 23 de fevereiro.

