Percentual da receita líquida sobre as reservas ‘não foi bom’ no trimestre, mas ‘seguirá saudável’, diz CVC

Indicador ‘take rate’, que funciona como espécie de margem bruta, caiu de 9,7%, no primeiro trimestre, para 7,6%, no segundo trimestre No segundo trimestre, a companhia de turismo CVC Corp viu seu ‘take rate’ (percentual da receita líquida sobre as reservas) cair para 7,6% depois de ter chegado a 9,7% nos primeiros três meses do ano.
“Apesar de ‘take rate’ não ter sido bom no trimestre, ele vai continuar sendo saudável. Não vamos entrar em guerra tarifária, mas vamos continuar crescendo, pois nossa política de precificação não mudou e não muda”, disse o presidente da CVC, Leonel Andrade.

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De acordo com a empresa, esse indicador, que funciona como espécie de margem bruta, foi afetado por alguns fatores, em especial pelo mix. Houve maior participação do B2B do que do B2C, que tem take rate maior. Também aumentou a participação do segmento de viagem internacional que, apesar dos maiores tíquetes, também tem margens menores.
A empresa também foi mais promocional entre abril e junho, devido à campanha de aniversário de 50 anos, enquanto também observou uma maior participação dos negócios na Argentina.
“Desafio de margem é ponto de atenção, mas não acho que seja preocupante”, disse o executivo na teleconferência de resultados da companhia.
Andrade diz, porém, que o segundo semestre terá “seguramente” resultados melhores, tanto em volumes quanto em take rate, com favorecimento pela sazonalidade, por causa das férias de julho e do fim do ano. A empresa tem, por exemplo, 230 mil assentos exclusivos já garantidos.

Credibilidade
Com o balanço pressionado pelo nível de dívida ainda elevado, a CVC Corp estuda soluções para conseguir recursos para o capital de giro de sua operação, o que levou o mercado de capitais a levantar questionamentos sobre a necessidade de um novo aumento de capital. Em junho, o grupo fez um aumento de R$ 378 milhões de capital líquido por meio de uma oferta subsequente.
Até o segundo semestre de 2023, a empresa tem cerca de R$ 650 milhões em pagamentos a serem feitos, dos R$ 997 milhões de dívida líquida total.
Sem detalhar quais são os caminhos a serem tomados, Andrade argumentou que a empresa tem honrado com seus compromissos.
“O balanço traz uma dúvida natural sobre a possível necessidade de mais capital na companhia. Muita coisa já tem caminhos em discussão e endereçamento, mas que não podem ser divulgados ainda por não se ter uma certeza. A coisa muito positiva é que, seja numa eventualidade junto a acionistas ou a possíveis credores, a gente tem bastante credibilidade. Não tem ninguém que tenha restrições em dar crédito a gente. Então estamos bastante otimistas”, disse o executivo.
O diretor financeiro do grupo, Marcelo Kopel, também falou sobre o tema. Ele destacou o momento de crescimento operacional da companhia, o que faz com que seja “natural” a necessidade maior de capital de giro, mas que não é “necessariamente fazer mais um aumento de capital”.
A companhia tem feito antecipações dos recebíveis, embora esse movimento tenha sido menor do que no primeiro trimestre. “Recorrer de desconto recebíveis é natural pelo crescimento que estamos tendo. À medida que vai diminuindo crescimento, ele tende a diminuir e vamos continuar usando como instrumento de gestão de caixa que podemos ter”, disse Kopel. Ainda segundo ele, tamanha “alavancagem operacional” deveria “permitir uma conversa de alongamento de dívida com o mercado”.
Leonel Andrade, presidente da CVC
Silvia Zamboni/Valor
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