Apetite ao risco dos bancos segue aumentando e há tendência de aumento da inadimplência, diz BC
Em ata da última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), autoridade monetária diz, contudo, que inadimplência deve subir ainda dentro de padrões O Banco Central (BC) alertou, na ata da última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada em 1º de setembro de divulgada há pouco, que o apetite ao risco das instituições financeiras segue aumentando e há tendência de aumento da inadimplência, mas ainda dentro de padrões históricos.
A autoridade monetária apontou crescimento das concessões sobretudo em algumas modalidades de crédito para famílias em linhas de maior risco e de maior retorno. As operações com cartão de crédito e de crédito não consignado crescem em ritmo elevado. Os ativos problemáticos nessas modalidades têm se elevado, mas ainda dentro dos padrões históricos, afirmou.
O Comef avalia que é importante que os intermediários financeiros continuem preservando a qualidade das concessões, orientou o BC.
Os preços dos ativos e o crescimento do crédito não representam preocupação no médio prazo, embora existam incertezas a serem acompanhadas. O crescimento em modalidades com maiores retornos e, consequentemente, com maiores riscos indicam tendência de aumento da inadimplência, mas ainda dentro de padrões históricos, ressaltou.
A ata destacou ainda que o endividamento e o comprometimento de renda das famílias têm aumentado. No caso das pessoas jurídicas, já se observa um aumento dos ativos problemáticos nas microempresas. Assim, uma frustação substancial do desempenho da atividade econômica pode resultar em elevação do risco de crédito, disse o texto.
De acordo com o documento, informações disponíveis indicam que os preços dos ativos têm se comportado em linha com os fundamentos econômicos. O Comef segue recomendando que as IFs (instituições financeiras) mantenham a prudência na política de gestão de crédito e de capital, pontuou.
O comitê avalia que a política macroprudencial neutra segue adequada ao atual momento, caracterizado pela ausência de acúmulo significativo de riscos financeiros. Considerando as expectativas do Comef sobre o crescimento do crédito, não há necessidade de ajustes na política macroprudencial no curto prazo, disse a ata.
Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

