Com restrição orçamentária, Banco Central limita viagens de servidores
Questionado se medida pode afetar supervisão de instituições financeiras e outras áreas do BC, diretor diz que autoridade monetária faz um forte monitoramento das instituições, inclusive com inteligência artificial Em meio a medidas de restrição orçamentária anunciadas pelo governo, o Banco Central publicou na quarta-feira (5) resolução que veda o custeio de viagens de servidores da autarquia com propósito de treinamento, desenvolvimento e aperfeiçoamento de pessoal, bem como para participação em reuniões, tanto gerenciais quanto técnicas.
Segundo o texto, a norma se adapta às restrições orçamentárias relacionadas à redução, determinada pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF) do Ministério da Economia (ME).
Norma exclui presidente do BC e seus assessores
Apenas o deslocamento do presidente do BC e dos seus assessores, dos diretores, do secretário-executivo e do procurador-geral foram mantidos. Inclui-se na vedação de que trata o caput a realização de viagens para participação de reuniões de comitês, conselhos, grupos de trabalho e assemelhados, ressaltou a norma.
Os deslocamentos de servidores para missões de fiscalização, apoio a regimes especiais, participação em audiências judiciais e extrajudiciais e outros considerados imprescindíveis ou obrigatórios para a Autarquia poderão ser autorizados, mediante justificativa, pelos Diretores, pelo Secretário-Executivo e pelo Procurador-Geral, no âmbito de suas respectivas áreas de atuação, complementou.
Além disso, poderão ser permitidos deslocamentos relativos a evento de importância estratégica para o BC. Fica vedada ainda a participação de mais de um servidor em evento de qualquer natureza no exterior, salvo com autorização.
A resolução diz que poderá ser autorizada viagem a serviço cujas despesas com passagens, locomoção urbana e diárias sejam custeadas, em parte ou totalmente, por organismo internacional ou por instituição pública nacional ou de outro país, desde que não envolva a modalidade ressarcimento de despesa.
Eventos estão suspensos
A realização de eventos nas dependências do BC que envolvam despesas extraordinárias também foi proibida. Deslocamentos e demais despesas autorizadas antes da publicação da resolução serão mantidos.
Questionado se a restrição pode afetar a supervisão de instituições financeiras e outras áreas do BC, o diretor Paulo Souza (fiscalização) disse que a autoridade monetária tem um monitoramento muito forte das instituições, inclusive com uso de inteligência artificial.
É importante destacar que a própria supervisão brasileira se destaca pela quantidade de informações que coleta com periodicidade diária, mensal e semanal. Então a gente tem um monitoramento muito forte das instituições, inclusive com uso de inteligência artificial. A pandemia ampliou possibilidade do contato direto com as instituições financeiras via canais alternativos, então a dependência de deslocamento de viagens para fins de fiscalização vai a cada ano sendo menos necessária, disse.
Logicamente um trabalho que venha a ser identificada alguma fragilidade que me exija colocar inspetores presencialmente em alguma jurisdição, isso será priorizado dentro do Orçamento, estamos acostumados com esse tipo de medida, complementou.

