Jornal revela suposto esquema na Binance para driblar regras nos EUA
O momento é de turbulência para uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, a Binance. O governo dos Estados Unidos vêm pressionando a companhia chinesa, e aumentando as investigações sobre atividades suspeitas de lavagem dinheiro. Some isso ao fato de, recentemente, uma ponte blockchain ligada à empresa ter sido invadida e quase R$ 3 bilhões terem sido levados por cibercriminosos. Agora, a empresa de jornalismo Reuters acusa o grupo asiático de tocar um esquema para driblar regras financeiras nos Estados Unidos. Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, está “bloqueada” no Brasil Binance anuncia nova parceria para desbloquear saques e depósitos com Pix A reportagem caiu como uma bomba no mercado cripto na manhã desta segunda-feira (17), nas páginas da Reuters. Com o título “Como o CEO e assessores da Binance conspiraram para evitar reguladores nos EUA e nos Reino Unido”, a matéria foi construída a partir de entrevistas de 30 ex-funcionários, consultores e parceiros de negócios, além da leitura e análise de milhares de mensagens, e-mails e documentos da empresa, datados de 2017 ao início de 2021. Segundo o texto, em 2018 o CEO da Binance, Changpeng Zhao, criou uma nova corretora em solo estadunidense, a Binance.US, como uma “distração” para os reguladores, enquanto o grupo principal mantinha seu crescimento agressivo, ignorando até mesmo os altos e baixos da grande volatilidade do mercado cripto. -Participe do GRUPO CANALTECH OFERTAS no Telegram e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.- Binance teria aceitado transações duvidosas em criptomoedas que movimentaram nada menos do US$ 2,35 bilhões (R$ 12,4 bilhões) em ativos, todos ligados a atividades de cibercriminosos, traficantes de drogas e fraudadores(Imagem: Reprodução/Pixabay/petre_barlea) A própria Reuters revelou no começo do ano que a Binance teria fracos controles antilavagem de dinheiro e dificultaria a transparência das informações de transações diante dos reguladores. Embora isso supostamente tenha catapultado seu uso, também é atrelado a negociações duvidosas em criptomoedas que movimentaram nada menos do US$ 2,35 bilhões (R$ 12,4 bilhões) em ativos, todos ligados a atividades de cibercriminosos, traficantes de drogas e fraudadores. Turbulência na Binance dos EUA e no Reino Unido O texto da Reuters também destaca problemas internos na Binance.US, principalmente no que diz respeito à operação de conformidade das atividades da empresa. Quase metade da equipe desse setor se demitiu no meio deste ano após à chegada de um novo chefe nomeado por Zhao, de acordo com quatro pessoas que trabalharam na companhia. Segundo essas fontes, o grupo saiu porque o novo líder teria pressionado um registro de usuários tão rápido que não seria possível realizar verificações adequadas de lavagem de dinheiro. O Departamento de Justiça dos EUA vem investigando se a Binance violou a Lei de Sigilo Bancário, que exige que das corretoras de criptomoedas o registro no Departamento do Tesouro e cumprimento dos requisitos antilavagem de dinheiro. Outra parte da reportagem mostra que, em 2020, Zhao também teria assinado um plano com um executivo da Binance para, supostamente, dificultar a implementação de novas regras e a revisão de finanças ilícitas na plataforma de criptoativos da companhia no Reino Unido. O que diz a Binance? Em uma extensa nota publicada online, o próprio CEO da Binance, Changpeng Zhao, assinou o comunicado, em que ele diz estar defendendo sua própria família. “(…)Nos últimos dois anos, trabalhamos com as autoridades globais para apreender ativos de organizações criminosas em todo o mundo. Meus filhos não são do interesse público e estes repórteres estariam conscientemente colocando-os em perigo ao publicar informações sobre eles. Isto denota falta de princípios e é intolerável”, disse. Sobre o cumprimento de regras de conformidade, Zhao disse: “Somente no último ano, contratamos mais de 4.000 novos funcionários, muitos dos quais nas áreas de compliance, investigações e segurança. Hoje, a Binance é uma empresa muito diferente do que era quando foi fundada. Temos trabalhado lado a lado com reguladores de todo o mundo para reestruturar nossa organização e atualizar nossos sistemas”. CEO da Binance publicou uma extensa nota, em resposta à Reuters (Imagem: Reprodução/Binance) “Nossa equipe de segurança e conformidade global, líder nesta indústria, tem mais de 500 funcionários em todo o mundo e inclui profissionais com experiência como reguladores, investigadores seniores de empresas de análise de blockchain e agentes da lei que lideraram algumas das maiores investigações relacionadas a crimes cibernéticos. No entanto, esse é um esforço que nunca termina, por isso continuamos investindo para estabelecer uma estrutura de compliance em que os usuários possam confiar”, continuou. Já a respeito da suposta lavagem de dinheiro na plataforma da corretora, a Binance disse o seguinte: “Existe um grande mito sobre a criptomoeda ser uma ferramenta de criminosos. A Reuters informou que a Binance foi usada como canal para a lavagem de pelo menos US$ 2,35 bilhões em fundos ilícitos, mas falhou em 1) fornecer detalhes de como esse número foi calculado e 2) ressaltar o fato de que isso representa menos de 0,1% do total fundos que fluem através da Binance desde 2019. Apesar do número da Reuters ser muito exagerado, ainda indicaria que a Binance é uma das instituições financeiras mais eficazes em manter fundos ilícitos fora de sua plataforma. Temos tolerância zero para atividades criminosas”. Enquanto isso, as investigações continuam, assim como a expansão da Binance na América do Sul, inclusive no Brasil. Seguimos acompanhando os próximos capítulos.

