Bitcoin recua com cautela na cena macro, mas volatilidade pode acabar com inércia de preço

Para especialista, segmento de moedas digitais pode ter encontrado seu principal ponto de lateralização do bearmarket Bitcoin (BTC), ethereum (ETH) e as principais criptomoedas voltaram a recuar nesta quarta-feira com a cautela nos mercados de risco em relação à desaceleração da economia e à resiliência da inflação.

Maior das criptomoedas, o bitcoin retomou o patamar de US$ 19.100 e o ether voltou a ficar abaixo de US$ 1.300, contendo parte do otimismo dos investidores nos últimos dias com resultados corporativos melhores que o esperado no terceiro trimestre.

Na avaliação de Humberto Andrade, especialista de criptoativos do podcast CryptoVerso Brasil, o segmento de moedas digitais pode ter encontrado seu principal ponto de lateralização do bearmarket, que frustrou as expectativas de recuperação nos últimos meses. Por outro lado, Andrade acredita que outubro tem se mostrado um mês menos volátil quando comparado com os últimos dois meses, tendo em vista que registra uma queda atualmente próxima de 1,5% e uma oscilação média, para cima e para baixo, na casa dos 6%.

“O ponto a se comemorar, por sua vez, é que voltaremos à uma formatação de fundo ascendente quando olhamos o movimento mensal, contudo, para confirmar isso precisaremos fechar o mês sem renovar a mínima, o que é bem possível de acontecer. Com o cenário cripto cada vez menos volátil, o que se espera para as próximas semanas, no entanto, é uma saída dessa inércia no preço, porém, o mercado ainda teme em apostar se para cima ou para baixo”, disse.

Perto das 8h50 (horário de Brasília), o bitcoin recuava 2% nas últimas 24 horas, a US$ 19.162,95, e o ether, moeda digital da rede ethereum, tinha queda de 2,4% a US$ 1.295,61, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas era de US$ 959 bilhões. Em reais, o bitcoin tinha baixa de 1,88% a R$ 101.311, enquanto o ethereum registrava perdas de 2,05% a R$ 6.869,48, de acordo com valores fornecidos pelo MB.

Para André Franco, chefe de análise do MB, a variação recente das criptomoedas segue as preocupações do ambiente macroeconômico, que torna difícil apostar numa tendência mais assetiva.

“Essas pequenas oscilações demonstram a percepção dos investidores de total indecisão, muito puxada pelo cenário macroeconômico”, disse.
Segundo ele, nos dados on-chain, houve uma recuperação da posição dos investidores de longo prazo (LTH) depois da queda no dia anterior. “Mais 5 mil bitcoins foram adicionados ao LTH e é bem provável que amanhã a métrica já atinja um novo recorde”, disse.

Para Orlando Telles, diretor de análise da Mercurius Crypto, o mercado está lateralizado, sem nenhuma movimentação relevante desde o dia 13, quando o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos provocou uma queda nos preços das criptomoedas.
“Cripto continua tendo como driver central de preços a questão macroeconômica e, naturalmente, eventos relacionados a uma escalada na tensão geopolítica, bem como a piora do cenário macro com sinalizações do Fed, irão impactar”, afirma.

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