Saiba quem impulsiona o crescimento no ranking de adoção de criptomoedas no Brasil
Empresas disseminam o acesso de novos investidores à economia digital aumentando a adoção nesse mercado O relatório anual Geography of Cryptocurrency, elaborado pela empresa de inteligência Chainalysis, uma das maiores da indústria blockchain, é um importante medidor da adoção das criptomoedas ao redor do mundo. Entre as edições de 2021 e 2022, o Brasil saltou sete posições, e hoje é o sétimo País onde as moedas digitais são mais utilizadas, e o primeiro na América Latina.
Um dos fatores que impulsionou a adoção no Brasil foi o crescimento do uso de moedas digitais pelo varejo, avalia Thomaz Fortes, head de área de criptoativos do Nubank, em comentários prestados à Chainalysis.
O Mercado Bitcoin, maior plataforma para negociações de criptoativos da América Latina, é a exchange preferida do varejo latino americano. Além disso, a holding da qual a empresa faz parte, o Grupo 2TM, tem participado constantemente do processo de disseminação da economia digital no Brasil.
Fonte: Geography of Cryptocurrency. Chainalysis, 2022, p. 27.
MB
Adoção de criptomoedas através da tokenização
A entrada do varejo depende da “democratização do acesso”, exemplifica Fortes, no relatório. Uma das formas para facilitar o investimento em ativos digitais é a tokenização, processo que consiste na migração de ativos reais para o meio digital. Com isso, cria-se a possibilidade de transformar títulos, antes inacessíveis ao varejo, em tokens de menor valor e que cabem no orçamento do investidor médio.
“A tokenização oferece outro tipo de produto digital, além das criptomoedas, e é o que temos criado no MB Tokens: tokenizamos ativos de renda fixa reais e oferecemos aos clientes”, afirma Fabrício Tota, diretor de Novos Negócios do Mercado Bitcoin. MB Tokens é o braço do Mercado Bitcoin focado na tokenização de ativos.
Tota diz que esses produtos captam outro público investidor que, a princípio, não é atraído pelas criptomoedas. Os tokens, que são criptoativos que representam ativos reais, tornam-se uma alternativa válida para um público ainda não iniciado na economia digital. “É um investimento mais palatável para um investidor mais conservador, mas que está buscando rendimentos maiores do que aqueles oferecidos pelo mercado tradicional.”
Investida no mercado de NFTs
Em um relatório da ConsenSys, publicado em julho deste ano, o Brasil figurou como o segundo País mais ativo no ramo das finanças descentralizadas (DeFi). No setor de jogos em Web3, o País ficou com a terceira posição. Embora o Brasil não tenha ficado entre os 10 países que mais movimentam o mercado de NFTs, é importante ressaltar que o mercado de jogos em blockchain utiliza os tokens não-fungíveis em sua estrutura.
Nesse campo, a adoção também tem ganhado força. Por exemplo: o principal evento musical do Brasil, o Rock in Rio, presenteou os participantes com tokens não-fungíveis. Por meio de uma parceria com a Block4, as pulseiras utilizadas para entrar no festival se tornaram NFTs colecionáveis, e ficarão para sempre registradas na blockchain.
“Quem foi no festival pôde pegar, de graça, o NFT da própria pulseira. São mais de 70 mil itens que já foram resgatados. Nenhuma outra coleção de NFTs na América Latia tem 70 mil itens que estão nas mãos das pessoas. Relativamente, é um número pequeno, quando comparado aos mais de 700 mil presentes no festival. Mas, mesmo assim, ainda é muita gente. O brasileiro está entendendo de forma muito rápida sobre os NFTs”, avalia Tota, do Mercado Bitcoin.
Educação para a construção
É seguro dizer que o crescimento na adoção de criptomoedas depende de aplicações amigáveis aos usuários. Para isso, são necessários profissionais voltados ao desenvolvimento de novas plataformas e serviços. O mercado cripto, porém, enfrenta uma escassez de desenvolvedores.
Uma forma encontrada pelo Grupo 2TM para lidar com a falta de talento nessa área foi formar novos desenvolvedores especializados em cripto. Por meio da Blockchain Academy, foi criada a iniciativa Cripto DEV, em parceria com a Gama Academy. O programa consiste em selecionar jovens de baixa renda e capacitá-los como programadores da rede Ethereum.
“A ideia é dar oportunidade a essas pessoas com algo que tem muito valor, que é ser desenvolvedor em uma área onde há demanda de novos profissionais. É a nossa forma de impulsionar a adoção, mas dando dois passos para trás. Para ter mais produtos, precisamos de mais pessoas criando coisas e desenvolvendo soluções, para então termos uma adoção em alta escala”, avalia o executivo do Mercado Bitcoin.
Outra iniciativa brasileira importante na adoção das criptomoedas é a Vinteum, organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, desenvolvimento e educação voltada ao bitcoin. Lucas Ferreira, diretor executivo da Vinteum, diz que desenvolvedores que passam pelos programas educacionais da iniciativa “se aprofundam nos detalhes técnicos do protocolo, além de aprenderem a construir novas aplicações que interagem com o dinheiro nativo da internet”.
“A Vinteum está criando uma comunidade de desenvolvedores que vai contribuir para o avanço do ecossistema de bitcoin no Brasil, através dos nossos esforços em três frentes: open source, indústria e empreendedorismo”, completa Ferreira.
No que diz respeito à frente de “open source”, desenvolvedores que se dedicarem a criar soluções com código aberto na rede do bitcoin receberão um incentivo financeiro da Vinteum. O diretor educacional do projeto, Bruno Garcia, é um dos desenvolvedores beneficiados por esses incentivos.
Quanto à “indústria”, a ideia é fazer com que desenvolvedores brasileiros consigam espaço em empresas do mercado cripto, dentro e fora do País, diz Ferreira. Por fim, o “empreendedorismo” diz respeito ao apoio da Vinteum aos desenvolvedores que quiserem criar suas próprias startups, podendo usufruir de mentorias e networking com os parceiros da organização.
“Com essa nova leva de desenvolvedores ‘bitcoiners’ brasileiros, teremos soluções e produtos que levarão em conta as necessidades e problemas específicos de nossa região, e isso, com certeza, vai contribuir para o aumento da adoção do bitcoin no Brasil”, conclui o diretor executivo da Vinteum.

