BC espera desacelerar atividade e convergir inflação para meta a partir do 1º ou 2º trimestre de 2024

Fizemos um ciclo rápido de política monetária e tem defasagens, afirma Bruno Serra, diretor de política monetária do Banco Central O diretor de política monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra, afirmou nesta sexta-feira que a autoridade monetária espera distensionar a atividade e ver a inflação convergindo para as metas, principalmente a partir do primeiro ou segundo trimestre de 2024.

Fizemos um ciclo rápido de política monetária e tem defasagens. A primeira forma de ver isso batendo é no ciclo de crédito, ressaltou em evento promovido pelo Bradesco Asset Management.

Ele mostrou um gráfico de fluxo financeiro gerado pelo crédito, que é o que as pessoas e empresas pagam para os bancos e tomam de crédito novo. Isso se inverteu no pós-pandemia e já está negativo de novo, é um sinal de que a política monetária está fazendo efeito, disse.

Ele destacou que as vendas de varejo estão desacelerando, com destaque para categorias mais ligadas ao crédito, como veículos, móveis e eletro eletrônicos e materiais de construção, que, segundo ele, estão reagindo conforme esperado.
PIB
Durante o evento, Serra afirmou atribuir as revisões para cima do mercado para o crescimento econômico brasileiro ao pessimismo excessivo para o Produto Interno Bruno (PIB) no início deste ano. Ele destacou que as projeções apontavam para alta de 0,4% em 2022 e hoje estão em 2,8%.
Todo o resto do mundo foi uma decepção de crescimento [com revisão para baixo]. Esse país bastante dividido gerou excesso de pessimismo no início do ano, mais do que a gente estar descolado do resto do ciclo econômico mundial. A gente vai crescer muito parecido com o resto do mundo, no passado crescemos abaixo, então é um ano positivo relativamente, afirmou.
Ele ressaltou ainda o risco de recessão global, com crescimento negativo na Europa e zero nos Estados Unidos. Vejo um cenário muito desafiador para crescimento global em 2023, ressaltou.
Bruno Serra Fernandes, diretor de politica monetária do Banco Central.
Carol Carquejeiro/Valor

Share