Inadimplência tem maior alta anual desde 2016, apesar de queda do endividamento, diz CNC

Em um ano, a proporção de endividados era de 74,6% do total das famílias, o que significa um aumento de 4,6 pontos percentuais O endividamento das famílias recuou em outubro, mas a inadimplência avançou, mostram os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Depois de três altas seguidas, o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) caiu 0,1 ponto percentual em outubro, para 79,2% do total.

Em um ano, a proporção de endividados era de 74,6% do total das famílias, o que significa um aumento de 4,6 pontos percentuais. Essa variação foi a menor desde julho de 2021.

Se houve recuo no total de endividados, o movimento foi em direção contrária no caso da inadimplência. A proporção de famílias com contas atrasadas saltou de 30% em setembro para 30,3% em outubro. Em outubro de 2021, a fatia estava em 25,7%. Esse aumento de 4,6 pontos percentuais em um ano foi o maior desde março de 2016.

Segundo a CNC, a desaceleração na proporção de endividados reflete a melhora progressiva do mercado de trabalho, as políticas de transferência de renda mais robustas e a queda da inflação geral nos últimos meses, que influencia positivamente a renda disponível.

Os dados da pesquisa mostram que houve recuo do endividamento tanto entre as famílias de rendas média e baixa (até 10 salários mínimos) quanto para aquelas na faixa de maiores rendimentos (acima de 10 salários mínimos).

Na comparação de outubro com setembro, a queda mais expressiva foi entre os consumidores de renda elevada (de 75,9% para 75,4%).

Mas, na comparação anual, foi justamente esse grupo o que teve maior crescimento. Nesse caso, o percentual passou de 69,5% em outubro de 2021 para 75,4% em outubro de 2022.

Entre as famílias com renda abaixo de salário mínimo, a fatia com algum tipo de endividamento passou de 80,3% em setembro de 2022 para 80,2% em outubro. Em outubro de 2021, a taxa era de 75,9%.

Em sua análise, a CNC destaca que os orçamentos domésticos seguem apertados, principalmente, das famílias de menor renda, com o nível de endividamento alto e os juros elevados, que pioram as despesas financeiras associadas às dívidas em andamento.

A pesquisa cita o aumento de 12,5 pontos percentuais em um ano dos juros anuais em todas as linhas de crédito às pessoas físicas, para 53,7% em média, para justificar o contexto macroeconômico mais difícil.

“Nesse contexto, está mais difícil quitar todos os compromissos financeiros”, afirma o texto.

Andrew Khoroshavin / Pixabay

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