BC da Inglaterra defende maior regulação global após caos com pensões
Fundos de pensão com estratégias de investimento orientadas por passivo foram pegos de surpresa pela rápida queda dos preços do gilts, os títulos do Tesouro britânico, o que os obrigou a uma onda de vendas de ativos Para uma autoridade do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), uma regulamentação global mais rigorosa pode ser necessária para evitar níveis perigosos de dívida, após a turbulência no setor de pensões do Reino Unido ter causado estragos nos mercados financeiros.
Sarah Breeden, diretora executiva de estratégia e risco de estabilidade financeira do BoE, disse em um discurso nesta segunda-feira que a comunidade internacional fez avanços limitados na abordagem dos riscos de alavancagem fora do âmbito de bancos regulamentados. Os reguladores devem ter uma visão da crescente alavancagem em todo o sistema financeiro, acrescentou.
“Além de melhorar a transparência, os reguladores precisarão considerar a melhor forma de garantir que a alavancagem seja bem gerenciada”, disse Breeden. As medidas podem incluir “regulamentos de mercado para garantir que a alavancagem excessiva seja mais bem controlada pelos preços e margens do mercado”.
Seus comentários marcam uma das primeiras indicações de uma reforma regulatória na esteira do caos causado pelo miniorçamento do governo do Reino Unido em 23 de setembro. Fundos de pensão com estratégias de investimento orientadas por passivo (LDI) foram pegos de surpresa pela rápida queda dos preços do gilts, os títulos do Tesouro britânico, o que os obrigou a uma onda de vendas de ativos.
A drástica queda de preços poderia ter afetado toda a economia, disse Breeden. “Cerca de 200 bilhões de libras esterlinas (US$ 229 bilhões) de fundos LDI ameaçaram o mercado de gilts com 1,4 trilhão de libras negociados, que atua como a base do sistema financeiro do Reino Unido, subjacente a cerca de 2 trilhões de libras em empréstimos à economia real por meio de mercados de crédito mais amplos.”
Bancos devem melhorar seus testes de estresse e exigir que as contrapartes mostrem maior transparência em relação à alavancagem oculta, disse Breeden. Precisam ter “foco a laser no ‘wrong-way risk’, onde o montante da garantia mantida como valor mobiliário se encontra na situação em que a contraparte entra em default”, disse Breeden.
Prime brokers devem ter acesso a dados sobre a alavancagem total de um fundo, não apenas à parte para a qual contribuíram, acrescentou. “Dada a natureza global dos modelos de negócios não bancários, é essencial que a transparência e a disponibilidade de dados sejam aprimoradas por meio de esforços internacionais.”
Breeden disse que a inteligência sugere que os fundos LDI levantaram mais de 40 bilhões de libras e registraram mais de 30 bilhões de libras em vendas de gilts durante as operações do BoE, reduzindo significativamente a alavancagem.
Chris Ratcliffe/Bloomberg

