China: atividade econômica desacelerou em outubro, mas governo não reduz juros

A atividade econômica da China mostrou sinais de desaceleração em outubro, à medida que novos surtos de covid-19 e restrições governamentais mais rígidas para controlar o vírus reduziram a demanda e a produção.

As vendas no varejo, um importante indicador do consumo doméstico da China, caíram 0,5% em outubro em relação ao mesmo mês de 2021, frente a um aumento de 2,5% em setembro e bem abaixo do crescimento de 0,7% esperado por economistas consultados, segundo dados divulgados na terça-feira (horário de Pequim) pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês).

A produção industrial aumentou 5% em relação ao ano anterior em outubro, também desacelerando em relação ao crescimento de 6,3% em setembro. Economistas consultados pelo “The Wall Street Journal” esperavam que a produção industrial tivesse aumentado 4,9%.

O investimento em ativos fixos da China aumentou 5,8% no período de janeiro a outubro em relação ao mesmo período do ano anterior, em comparação com um crescimento de 5,9% nos primeiros nove meses do ano. Economistas pesquisados esperavam que o crescimento do indicado se mantivesse estável em outubro.

A taxa de desemprego urbano pesquisado da China se manteve estável em 5,5% em outubro. A taxa de desemprego dos jovens trabalhadores dos 16 aos 24 anos situou-se em 17,9% em outubro, a mesma do mês anterior.

Juros mantidos
Apesar dos indicadores fracos, o governo da China sinalizou nesta terça em Pequim que não vai reduzir os juros para animar a economia. O banco central da China (PBoC) manteve as taxas de juros dos empréstimos de médio prazo (MLF) inalteradas, sugerindo que pode manter a taxa básica de juros do país (LPR) também inalterada na próxima semana. Isso porque a LPR é definida com base na MLF.
Ainda nesta terça, o PBoC injetou 850 bilhões de yuan (US$ 120,16 bilhões) de liquidez por meio da contratos de empréstimo de médio prazo de um ano a uma taxa de juros de 2,75%. Também injetou 172 bilhões de yuan de fundos por meio de seu acordo de recompra reversa de sete dias a uma taxa de juros de 2,0%.
O PBoC também disse que injetou 320 bilhões de yuan em liquidez por meio de contratos de médio e longo prazos até agora este mês por meio de empréstimos suplementares prometidos, bem como um programa de refinanciamento de tecnologia e renovação.
Alguns economistas esperavam um corte na taxa de compulsório dos bancos, uma vez que há trilhão de yuan de empréstimos MLF com vencimento este mês, de acordo com o provedor de dados Wind.
Imóveis
O NBS também divulgou nesta terça-feira que as vendas de casas na China continuaram a cair no período de janeiro a outubro, mas em um ritmo mais lento do que nos primeiros nove meses do ano, à medida que as autoridades introduziram mais medidas para fortalecer o mercado imobiliário.
As vendas de casas em valor caíram 28,2% em relação ao ano anterior nos primeiros dez meses, em comparação com um declínio de 28,6% de janeiro a setembro, informou o Departamento Nacional de Estatísticas (NBS) na terça-feira em Pequim.
O investimento imobiliário caiu 8,8% no período, piorando em relação a uma queda de 8,0% nos primeiros nove meses.
O início de novas construções por incorporadoras no país caiu 37,8% de janeiro a outubro, em comparação com a queda de 38,0% de janeiro a setembro.

Share