Token do real fará parte de massa em recuperação

Até 70 milhões de unidades do BRZ, stablecoin com paridade no real brasileiro estavam nas mãos de clientes e da FTX Até 70 milhões do token BRZ, a moeda digital (“stablecoin”) com paridade no real brasileiro, deverão fazer parte da massa em recuperação judicial em favor dos credores da FTX. Os tokens eram de clientes e da própria FTX, que atuava como principal “market maker” (formador de mercado) do ativo.
Stablecoins são moedas digitais lastreadas em alguma moeda ou ativo do mundo real.
O BRZ (sigla para Brazilian Digital Token) é emitido pela Transfero, empresa de brasileiros com sede na Suíça, e figura entre as maiores stablecoins do mundo com paridade em moedas fiduciárias sem contar o dólar. Ao todo, soma R$ 190 milhões, negociados em diferentes plataformas de criptoativos, e não apenas por brasileiros e agentes com interesse no país.
Nos últimos dias, aumentaram os negócios com o BRZ por conta de temores em relação à quebra da FTX e possíveis efeitos sobre a Transfero. A empresa recebeu um aporte de R$ 20 milhões da FTX dois anos atrás.
Segundo Thiago Cesar, CEO da Transfero, a crise envolvendo a FTX não compromete a stablecoin do real. Isso porque, afirma, a custódia é feita pela própria Transfero na proporção de 30% em espécie e 70% em títulos do Tesouro brasileiro e CDBs de bancos de primeira linha, com baixíssimo risco de crédito.
Cesar diz que o aporte da FTX na Transfero foi feito por meio do token FTT, a moeda nativa da exchange que virou pó na última semana. Os tokens estavam bloqueados dentro de um período de “lock up” (restrição a movimentações) de sete anos e nunca foram convertidos em moeda fiduciária. Por essa razão, afirma o executivo, a Transfero nunca entregou ações para a FTX, que assim não tem participação no capital da empresa.
O responsável pela FTX no Brasil, Antonio Neto, se demitiu na semana passada antes da recuperação judicial da empresa nos EUA. Em comunicado aos clientes por meio do Telegram, pediu desculpas e afirmou que não fazia ideia da situação da empresa. “Gostaria de deixar claro que, assim como os usuários, nós funcionários também não tínhamos ideia que a FTX não era solvente ou que não possuía os ativos dos usuários”, disse. Procurado pelo Valor, Neto não quis se manifestar.

Share