Dólar paralelo atinge recorde na Argentina com viagens de férias
O chamado dólar blue atingiu a marca de 357 pesos na quinta-feira, enquanto a taxa de câmbio oficial, controlada de perto pelo banco central, é de 176 pesos O dólar disparou para um patamar recorde no mercado paralelo da Argentina esta semana, com o aumento de compras de quem sai de férias e uma escassez da moeda americana nas casas de câmbio do país.
O chamado dólar blue atingiu a marca de 357 pesos na quinta-feira, segundo o site Dolarhoy.com, após uma desvalorização do peso de 9% em uma semana no paralelo. A taxa de câmbio oficial, controlada de perto pelo banco central, é de 176 pesos.
O risco para as autoridades é que a desvalorização repentina se espalhe para outras partes da economia, já que o câmbio paralelo é usado como referência para alguns bens de consumo e transações de importação. O país vizinho já lida com uma inflação anual que se aproxima de 100% e um déficit crônico de dólares para financiar o comércio e sustentar a moeda local.
“O crescimento do mercado paralelo é o dado mais relevante para a macroeconomia”, escreveram na quarta-feira analistas da PPI liderados por Pedro Siaba Serrate em nota aos clientes. “O aumento do dólar blue pode obviamente ser um indicador antecipado do que acontecerá com as outras taxas de câmbio não oficiais.”
A ampliação dos controles cambiais na Argentina gerou várias taxas de câmbio diferentes que se aplicam a agricultores, turistas e até ingressos de shows.
Uma das mudanças mais recentes na política cambial envolve oferecer aos turistas de fora uma taxa melhor, de cerca de 333 pesos por dólar, quando usam seus cartões de crédito estrangeiros para desestimular o uso do mercado paralelo.
Com a medida, menos notas de US$ 100 vem sendo trocadas em casas de câmbio informais e sobram menos dólares para os argentinos comprarem.
No blue-chip swap, outra taxa de câmbio paralela derivada da compra de títulos no mercado local e venda no exterior, o dólar subiu para até 348 pesos, também um recorde.
Outro fator por trás da disparada do dólar no mercado paralelo é que a taxa para os argentinos usarem cartões de crédito no exterior ficou muito cara em comparação com a compra de notas antes de embarcar.
A PPI estima que o valor real da moeda argentina hoje esteja mais próximo de 425 pesos por dólar, com base em um cálculo envolvendo o número de pesos em circulação.
Diego Giudice/Bloomberg

