Bitcoin fecha ano com perda de 64% e sem previsão de retomada adiante

Analistas seguem pessimistas e não descartam mais desvalorização a depender do cenário macroeconômico difícil para os ativos de risco e iniciativas de regulação No ano em que prometia dobrar preço e ocupar espaço nas finanças tradicionais, o bitcoin (BTC) derreteu 64% e amargou o pior desempenho desde 2018, no inverno cripto anterior. Para 2023, os analistas seguem pessimistas e não descartam mais desvalorização a depender do cenário macroeconômico difícil para os ativos de risco como um todo e iniciativas de regulação que possam trazer mais confiança para os investidores trazerem dinheiro novo para o segmento.

Na visão dos analistas, 2022 foi um “annus horribilis” para as criptomoedas, marcado por sucessivos ataques de hackers, implosão de projetos importantes, como o sistema Terra Luna em abril, e depois a quebra de diferentes startups de finanças descentralizadas que prometiam revolucionar os serviços financeiros. O último golpe foi a implosão em novembro da FTX, até pouco tempo atrás a segunda maior corretora centralizada de criptoativos e patrocinadora dos esforços para regulação do setor nos moldes de Wall Street.

Diante de uma das maiores crises de credibilidade do segmento de ativos digitais, o conjunto de criptomoedas perdeu US$ 2 trilhões em valor de mercado desde o auge em novembro do ano passado.

Nem mesmo o ether, moeda nativa da rede Ethereum e a segunda maior divisa digital, escapou do pessimismo apesar de patrocinar um upgrade de software celebrado por reduzir em 99% o consumo de energia ao dispensar o uso de mineradores no processo de validação dos blocos. No ano, o ether acumulou uma desvalorização de 67%, também a maior desde 2018.

Israel Buzaym, sócio da Bitypreço, considerou decepcionante o desempenho das criptomoedas neste ano após sucessivos golpes vividos pelo setor.

“Ainda que os ciclos de mercado sejam parte do nosso dia a dia, e tenhamos aprendido a conviver com os altos e baixos, ver o preço do bitcoin fechar o ano com uma queda acumulada de quase 70% é chocante”, disse.

Em 2023, as atenções do segmento estarão divididas em dois campos prioritários: macroeconômico, em meio a uma desaceleração econômica global e juros elevados para conter a inflação. regulação de ativos digitais, movimento que poderá disciplinar as regras do jogo e dar segurança jurídica para investidores das finanças tradicionais se beneficiarem da tecnologia blockchain de tokenização de ativos.

Ayron Ferreira, chefe de análise de Titanium Asset, considera a regulação de criptoativos decisiva para o desempenho da indústria no próximo ano.

“A regulação do setor cripto será um tema muito decisivo em 2023, sem dúvida. Em 2022 houve vários avanços. A Europa aprovou o texto do MiCA (Markets in Crypto-Assets), o Brasil aprovou o PL 4.401. No próximo ano também devemos ver avanços nos EUA e na Ásia. Regulação pode segurar um pouco alguns pontos do setor, mas é necessária para o aumento da credibilidade da indústria”, disse.

Para Ferreira, o ambiente macroeconômico será o principal ponto de atenção nos próximos meses para atestar a efetividade do processo de ajuste monetário e entender quando poderá haver um pico dos juros e uma possível sinalização de mudança na política monetária pelo Federal Reserve. “Esse tema será o mais importante para a performance do preço do bitcoin e demais ativos globais”, disse.

“Para 2023, a expectativa é que tenhamos um mercado tão frio quanto no último semestre de 2022, uma vez que o apetite a risco ao redor do mundo tem diminuído, principalmente pela renda fixa pagando bons juros”, afirmou Buzaym.

“Mas a baixa temperatura e o desinteresse das grandes massas pelo bitcoin não deve ser considerada como fator negativo. Esses momentos, historicamente, são os melhores para acumular satoshis – frações de BTC – para aproveitar os próximos movimentos de alta”, completou.

No último dia útil de negócios, que ainda devem se estender ao sábado apesar de baixíssima liquidez, os investidores dos mercados de risco defenderam os patamares de preços da última semana.

Perto das 18h30 (horário de Brasília), o bitcoin tinha baixa de 0,2% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 16.596,88, segundo o CoinGecko. Em um ano, a baixa acumulada era de 64,3%. Já o ether subia 0,3% a US$ 1.199,63, acumulando baixa de 67,1% em um ano. A Solana (SOL), que derreteu 16% nos últimos sete dias, tinha alta de 18,9%, a US$ 9,90. Mesmo assim, no ano a baixa acumulada era de 94,2%.

O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo era de US$ 829 bilhões. Em reais, o bitcoin registrava baixa de 0,31% a R$ 87.988,42 e o ether subia 0,57% a R$ 6.403,32, de acordo com valores fornecidos pelo MB.

Fernando Pereira, analista da Bitget, não acredita em mudança no nível de preço nos próximos dias.

“Última sexta-feira do ano e ao que parece os investidores de BTC já saíram de férias há duas semanas. Nem mesmo o aumento da pressão vendedora vista durante essa semana foi suficiente para dar um rumo à moeda, ainda que para baixo. A tendência principal é o retorno para a faixa de US$ 15.500, mas isso ficará para 2023”, disse.

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