Dívida nos EUA é bom contraponto à renda fixa no Brasil, diz Stuhlberger, da Verde

Em meio ao reequilíbrio da política monetária, taxas de juros nas economias desenvolvidas não voltam mais para terreno negativo ou zero, aponta CEO da gestora Comprar ativos de crédito de boa qualidade nos Estados Unidos com vencimento em seis a sete anos tende a ser um bom contraponto à renda fixa no Brasil, e ao “tal do CDI”, segundo Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset. Em meio ao reequilíbrio da política monetária, com as correções feitas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e outros BCs de economias desenvolvidas, as taxas não voltam mais para o terreno negativo ou para o zero, como se observou entre 2008, após a quebra do Lehman Brothers, e 2021.
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“Não podem tornar dinheiro lixo e achar que isso não tenha consequências”, comentou Stuhlberger ao participar de evento da gestora americana Kawa Capital, numa conversa com o fundador e CEO da asset, Daniel Ades. “Mesmo quando terminem [o ciclo de aperto], para a inflação voltar para os 2% vai demorar muito tempo.”

Ele disse ver os investidores muito otimistas com a inflação nos EUA, negociando contratos atrelados a índices de preços perto de 2,5% nos próximos cinco anos. Para o gestor, as taxas de juros de curto prazo não serão inferiores a 3%, 3,5% ao ano, e os cortes já incorporados nos ativos mais longos e o fluxo para a bolsa mostram que a “a ficha não caiu”. Citou que curva de janeiro de 2025 já está em quase 3%, embutindo uma redução na casa dos 200 pontos básicos para as taxas referenciais manejadas pelo Fed. “Acho que a migração para ativos que pagam 7% ao ano sem volatilidade é algo razoável.”

Apesar dos problemas no Brasil, com o “CDI mais alto da história do mundo”, os investidores costumam deixar o dinheiro aqui e o risco tem compensado o retorno, com juros reais de 5% a 6%, pagando mais do que o porto seguro do mercado americano, onde as taxas foram negativas por mais de uma década. “Esse equilíbrio pró-mercados emergentes com taxas negativas ou zero com ‘benchmark’ em dólar e euro chegou ao fim, não se repete mais.”

Depois da inundação de liquidez nos anos de taxas de juros no chão, Stuhlberger chamou a atenção para o fato de não ter havido ainda um aperto para estratégias ilíquidas, que costumam ter saída via operações de mercado de capitais. “O crédito vence, mas o private equity precisa de um comprador, não teve ainda uma crise de ilíquidos precisando desovar ativos porque venceu [o prazo de investimento]. Vejo muita gente com ilíquidos e alavancados.” Foi um movimento para tentar capturar valor quando o dinheiro queimava a mão.

O gestor ainda destacou o ouro entre as oportunidades de alocação e que ganhou impulso com a demanda dos bancos centrais mundo afora, que nos últimos 12 meses fizeram compras recordes do metal, adquirindo o equivalente a 3,5% do estoque em 2022. “É o único ativo que podem pegar o físico e levar para o país.” Citou que a China tem 2,5% e 3% das reservas em ouro e que o governo não liga para o custo de oportunidade. “Pode ser que haja um ‘trigger’ [gatilho] que mude o ouro de patamar porque ele é finito.”

Prata e urânio são outros ativos interessantes para se olhar, mas cobre e minério de ferro, ele disse ter receio por conta de uma crise imobiliária na China, com um estoque de imóveis na casa dos 400% do PIB.

Stuhlberger, da Verde Asset: migração para ativos que pagam 7% ao ano sem volatilidade é razoável
Anna Carolina Negri/Valor

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