8 em cada 10 participantes de programas de diversidade em empresas se sentem mais confiantes e preparadas

Consultoria especializada na temática de gênero ImpulsoBeta aponta impacto positivo de iniciativas para mulheres nas empresas A consultoria especializada em Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) ImpulsoBeta mensurou o impacto de programas de incentivo à carreira para mulheres em seus times e o resultado mostra que das cerca de 1,7 mil mulheres participantes, mais de 80% afirmaram se sentir preparadas para contribuir com os objetivos estratégicos de negócio. Além disso, mais de 90% sentem-se capazes de atingir os objetivos esperados da função.
O relatório analisa os resultados que as sete organizações participantes – entre elas a plataforma de delivery iFood, a empresa de tecnologia Oracle, o grupo Votorantim, a empresa de entretenimento Warner Bros, entre outras – obtiveram a partir de suas iniciativas, que buscam aumentar a diversidade em cargos de liderança. Programas de DEI fazem parte da agenda ESG (sigla para Ambiental, Social e Governança, em tradução) de muitas empresas.
De acordo com Renata Moraes, CEO e fundadora da ImpulsoBeta, em geral, entre as sete empresas participantes do estudo, houve uma melhora perceptível nos níveis de ambição das mulheres, de onde elas querem chegar, e também na percepção de prontidão para próximos cargos.
“Um ponto muito interessante das empresas pensarem, se quiserem ter mulheres em posição de liderança, é qual é a infraestrutura que deve ser oferecida para essa mulher estabelecer uma carreira, em um país em que as políticas públicas são bastante defasadas em relação a isso”, explica.
Resultados práticos
Na Votorantim Cimentos, que faz parte do Grupo Votorantim, 95,65% das funcionárias afirmaram se sentir capazes de atingir os objetivos esperados de sua função após o programa. A empresa trabalha com a ImpulsoBeta há cerca de três anos. “No ano passado, 80% das mulheres participantes do nosso programa de liderança feminina, em conjunto com eles, foram promovidas ou se movimentaram na carreira”, diz Moraes.
Já na Warner o resultado foi ainda melhor: 100% das participantes que aumentaram o potencial de ocupar um cargo de nível executivo. Ainda de acordo com o mesmo levantamento, a Oracle, após a implementação do programa, teve nove em cada 10 mulheres se sentindo mais capazes de atingir os objetivos esperados para a sua função. No início do projeto esse número estava entre sete e oito.
Segundo ela, houve uma mudança visível no perfil das empresas que se preocupam especificamente com liderança feminina. “Quando começamos a atuar em 2015, o perfil das empresas eram principalmente as de capital aberto, que precisavam reportar números em seus relatórios de sustentabilidade, por exemplo, pelo Global Reporting Initiative (GRI), e multinacionais”, comenta a executiva da ImpulsoBeta.
Agora, conta, mais empresas, inclusive as de capital fechado, empresas familiares, começaram a correr atrás da pauta e montar, muitas vezes do zero, sua estratégia de DEI. Parte da mudança vem da pressão de stakeholders, como os detentores do capital. “Hoje, já tem banco de investimento que não faz mais abertura de capital de empresa se não tiver mulheres na diretoria e no conselho”, exemplifica.
Dados podem ajudar a diminuir a essa disparidade
Para Moraes, o que pode fazer a diferença para diminuir a disparidade salarial, que existe em todos os níveis, desde a base até o cargo de vice-presidente, é as empresas adotarem um olhar para os números, um foco em análise de dados. “O iFood, por exemplo, tem uma iniciativa muito interessante, ele fez o processo de paridade salarial. Entendeu quais eram as lacunas ligadas a gênero e raça e aumento o salário das pessoas, para corrigir as discrepâncias. Para isso tem que olhar para os dados”, diz.
O aplicativo de entrega de comida também lançou em 2021 o programa Agora é que são elas, em que, mais de 80% das participantes afirmaram que a experiência impactou positivamente em sua ambição de ocupar um cargo de nível executivo e ajudou a considerar o ambiente de trabalho seguro para compartilhar ideias e projetos.
Moraes ressalta ainda que ao olharem os dados, as empresas conseguem cruzar vários pontos de interseccionalidade: entender como são as avaliações de desempenho entre homens e mulheres, entre pessoas brancas e negras, etc. “Os dados vão comprovar o que as pesquisas já nos mostram há anos: os homens são mais promovidos com base em seu potencial, enquanto as mulheres têm que ter o resultado comprovado [para serem promovidas]”, explica.
Desigualdade de gênero no trabalho
Esse tema está longe de ser novo, mas a desigualdade de gênero no Brasil e no mundo ainda é grande, apesar dos progressos feitos na área. Segundo o relatório Woman in Business 2022, da auditoria Grant Thornton, houve um aumento na proporção de mulheres na alta administração em todo o mundo. Das 5.000 lideranças empresariais de 29 países avaliadas para o estudo, constatou-se que elas ocupam 32% dos principais cargos de alto nível, incluindo funções de diretoria. Porém, o percentual em si não mostra questões que ainda são veladas, como a desigualdade salarial de gêneros nas mesmas funções.
Segundo um levantamento feito para o G1 no ano passado, realizado pela consultoria IDados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, as mulheres ganham aproximadamente 20% menos do que os homens em nosso país. E a diferença salarial entre os gêneros continua elevada mesmo quando a comparação é feita na mesma faixa etária, escolaridade, raça, setor de atividade e com a mesma ocupação.
Segundo o Global Gender Gap Report 2022, do Fórum Econômico Mundial, em média, mais mulheres foram contratadas para a liderança em setores onde as mulheres já estavam bem representadas. O relatório compara o estado atual e a evolução da paridade de gênero em 146 países. Sendo assim, aumentar a representatividade feminina nos cargos de liderança tende a causar um efeito dominó e ajudar outras mulheres a atingir esse objetivo.
Programas como os realizados pela ImpulsoBeta e outras consultorias, além de grupos de incentivo a mulheres na liderança, como os programas sem fins lucrativos Women Corporate Directors Brazil e o Conselheira 101, este último que tem foco em negras, vem se mostrando eficazes para ajuda a fechar esses. O Conselheira 101, por exemplo, já formou 62 mulheres negras em três turmas e tem como mentoras Lisiane Lemos – advogada, especialista em transformação digital, Jandaraci Araújo, diretora financeira da 99Jobs e Ana Paula Pessoa, membro do conselho de administração do banco Credit Suisse.

Tima Miroshnichenko -Pexels

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