Aperto monetário faz juro bancário subir
Incremento no custo dos empréstimos foi mais forte nas operações com juros livremente definidos pelo mercado, que em geral são mais sensíveis à variação da taxa Selic Os juros bancários médios subiram pela primeira vez em três meses, de 20% ao ano em junho para 20,5% ao ano em julho, refletindo o aumento dos custos de captação dos bancos e a alta dos spreads bancários, em meio ao acirramento do ciclo de aperto monetário pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Os dados divulgados pela autoridade monetária mostram que o incremento no custo dos empréstimos foi mais forte nas operações com juros livremente definidos pelo mercado, que passaram de 28,4% ao ano para 28,9% ao ano, que em geral são mais sensíveis à variação da taxa Selic. No caso do crédito direcionado, subiu levemente, de 7,3% para 7,4%, sempre na comparação entre junho e julho.
“A alta de juros está relacionada à postura de política monetária, que tem aumentado as taxas básicas”, disse o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.
A alta nos juros bancários reflete, em boa medida, o incremento nos custos de captação dos bancos. De junho a julho, ele passou de 5,6% para 5,8% ao ano, considerando recursos livres e direcionados. De dezembro para cá, acumula uma alta de 1,8 ponto percentual.
Os custos de captação dos bancos, por sua vez, acompanham as sinalizações de política monetária feitas pelo Copom. Em julho, período a que as taxas foram praticadas pelas instituições financeiras, o colegiado ainda não havia sinalizado a intenção de levar a política monetária para o campo restritivo, mas já mencionava a hipótese de colocá-lo no nível neutro.
Os spreads bancários, que representam a diferença entre os custos de captação dos bancos e os valores cobrados nos empréstimos aos clientes, subiram de 14,4 pontos percentuais para 14,6 pontos percentuais entre junho e julho.
No mês, o encarecimento do crédito se concentrou nas pessoas jurídicas, cujas taxas médias passaram de 12,8% para 13,5% ao ano. Tivemos um movimento de altas disseminado, o que reflete o efeito da política monetária, disse Rocha. Houve incremento em 13 das 17 linhas acompanhadas pelo BC, incluindo capital de giro e desconto de recebíveis.
Nas operações com as empresas, a alta dos spreads foi bem mais representativa, de 6,6 pontos percentuais para 7,1% pontos percentuais. Já no caso das operações com pessoas físicas houve estabilidade no custo dos empréstimos (em 24,6% ao ano) e queda dos spreads, de 19,4 pontos percentuais para 19,1 pontos percentuais.
O estoque de operações de crédito registrou uma expansão de 1,2% entre junho e julho, chegando a R$ 4,265 trilhões. Em percentual do Produto Interno Bruto (PIB), manteve-se estável, em 52,6%. O ritmo anual de crescimento apresentou um ligeiro recuo, de 16,3% em junho para 16,2 em julho.
Esse ritmo forte de crescimento é sustentado sobretudo pelas operações com pessoas físicas, que tiveram alta de 1,5% no mês. Em 12 meses, houve aceleração, de 17,5% para 18,2%. As operações com as empresas, porém, cresceram num ritmo menos forte, em 0,8%. O ritmo em 12 meses se desacelerou de maio para junho, de 14,7% para 13,6%.
“O crédito cresce bem, mas nesse crescimento expressivo é composto pela aceleração no crédito a pessoas físicas e desaceleração no crédito a pessoas jurídicas”, disse Rocha
O crédito a micro, pequenas e médias empresas cresceu 2,1% no mês, mas perdeu um pouco do fôlego em 12 meses. Até junho, a taxa de expansão era de 36,4% e, em julho, ficou em 29%. Já o estoque de crédito a grandes empresas encolheu 0,2%. As grandes empresas estão tomando mais recursos por meio da emissão de títulos no mercado de capitais, que avançou 1,8% em julho e 19,7% em 12 meses.
As concessões de crédito dessazonalizadas, que têm uma relação mais forte com a atividade econômica, tiveram expansão de 3,8% em julho. Esse avanço, porém, se concentrou mais no crédito direcionado (alta de 36,3%), puxado pelas operações do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), e menos no livre (0,2%).
A taxa de inadimplência dos bancos ficou estável em 2,3%.
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