Bancos de Wall Street veem potencial inclusivo com digitalização de ativos e moedas soberanas, diz Citi

Para Driss Temsamani, tecnologia permite economias de escala que viabiliza que fintechs e instituições financeiras trabalhem com público fora do sistema financeiro Atrasados na tokenização de ativos financeiros por questões regulatórias, os bancos de Wall Street veem uma oportunidade para trazer segmentos da economia global, que hoje atuam na informalidade, para dentro do sistema financeiro com a digitalização das moedas soberanas e demais ativos e serviços financeiros, disse ao Valor Driss Temsamani, diretor de negócios digitais do Citigroup.
Para Temsamani, metade da economia global ainda passa à margem do sistema financeiro atual devido a inúmeros gargalos, entre eles, passar pelo crivo das políticas de KYC (Conheça seu Cliente) e de serem alvo de produtos economicamente viáveis para os bancos. A digitalização de ativos e serviços, afirmou ele, permite economias de escala que viabiliza que fintechs e instituições financeiras trabalhem com esse público.
“Tem duas maneiras de se olhar hoje para as moedas e ativos digitais. Uma é a de que eles competem com o dinheiro formal pelos depósitos. Outra é que a economia digital permite colocar essas pessoas, que hoje não são clientes dos bancos, para dentro desse mercado, trazendo bilhões de dólares para dentro do sistema”, disse o executivo, que participa nesta semana do Febraban Tech.
Segundo o executivo, o setor financeiro tenta há muitos anos trazer esse público para dentro do sistema, mas sem resultados relevantes. Ele acredita que as moedas soberanas digitais – conhecidas como CBDC – serão o principal ingrediente da arquitetura desse novo arranjo de pagamentos e de finanças digitais, ainda em fase de desenvolvimento.
“Não podemos esperar resultados diferentes utilizando as mesmas ferramentas conhecidas”, disse.
No evento da Febraban, o responsável pelo projeto do real digital no Banco Central, Fabio Araújo, disse que o desenho do arranjo financeiro com versão digital da moeda brasileira prevê que instituições financeiras possam emitir “stablecoins” para captar depósitos dos clientes, de modo a reproduzir no ambiente das blockchains as relações financeiras que existem hoje na atividade bancária.
Segundo ele, as stablecoins dos bancos minimizam as preocupações existentes hoje de desintermediação financeira, com consequências desconhecidas para a oferta de crédito na economia, decorrentes da digitalização de ativos e da moeda brasileira.
“Vamos poder reproduzir as relações que existem hoje num ambiente tecnológico diferente, porém mais flexível e eficiente”, disse.

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