BC: Rentabilidade de bancos caiu com crise, mas não é risco à estabilidade

Relatório diz que pandemia inverteu sequência de recuperação que ocorria desde a recessão de 2015-2016 e que expectativa para 2021 é de melhora A rentabilidade dos bancos diminuiu com a crise sanitária, mas não é risco para a estabilidade financeira, afirmou nesta terça-feira o Banco Central (BC) em seu Relatório de Estabilidade Financeira (REF).
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A pandemia inverteu a sequência de recuperação da rentabilidade que ocorria desde a recessão de 2015-2016. A expectativa para 2021 é de melhora, disse.

Segundo o BC, caso seja mantida a perspectiva de recuperação, as despesas com provisões tendem a ser menores, e as receitas de serviço a se recuperarem, destacando também que o controle de custos e a intensificação do atendimento digital auxiliam no aumento da eficiência operacional.
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Já a margem obtida nas operações de crédito diminuiu e pode ficar sob pressão no curto prazo com eventuais altas da taxa Selic.
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O retorno do crédito caiu mais rápido que o custo de captação no segundo semestre de 2020. Nesse período, o avanço da carteira de crédito ocorreu em modalidades com taxas de juros mais baixas, afirmou. Além disso, as rendas foram impactadas pelo limite máximo para a taxa de juros do cheque especial. O custo de captação recuou, mas aumentou em relação à taxa básica de juros.
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Por sua vez, as receitas de serviços bancários se recuperaram ao longo de 2020.

O crescimento decorreu sobretudo das rendas de mercado de capitais e de serviços de pagamento, que mais que compensaram as receitas menores com administração de fundos constitucionais e com tarifas bancárias, afirmou.
Confiança
O REF afirma ainda que as “as instituições financeiras continuam preocupadas com os riscos à estabilidade financeira, mas mantêm sua confiança na estabilidade do sistema próxima ao melhor nível histórico”.
No documento, o BC apresenta a sua tradicional pesquisa feita junto a instituições financeiras.
“A maior preocupação das instituições financeiras é a pandemia aumentar a inadimplência e reduzir a atividade econômica”, diz o documento. Riscos fiscais também continuaram muito citados.
De acordo com o REF, a percepção de apetite ao risco estava baixa em fevereiro de 2021. “As instituições financeiras consideravam alta a alavancagem de famílias e empresas”.
“Não obstante, a confiança das instituições financeiras na estabilidade financeira durante toda a pandemia tem permanecido bem acima do que estava durante a recessão de 2015-2016”, diz o REF.

Pixabay

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