BIS aponta incerteza generalizada e mais desafios para BCs

Banco dos bancos centrais observa que sanções tão abrangentes nunca foram aplicadas a um país tão interconectado na economia mundial como a Rússia O Banco de Compensações Internacionais (BIS), espécie de banco dos bancos centrais, constata que a economia global enfrenta agora uma incerteza generalizada e que os desafios dos BCs se tornaram mais complexos. O aumento dos preços da energia e dos produtos de base impulsionará ainda mais a inflação global, enquanto sanções tão abrangentes nunca foram aplicadas a um país tão interconectado na economia mundial como a Rússia.
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Ao apresentar a evolução no mercado financeiro neste começo do ano, Claudio Borio, diretor do Departamento Econômico e Monetário, destacou que, quando concluiu a avaliação, os mercados financeiros estavam lutando com uma inflação surpreendentemente alta e com muitas indagações, como sobre se a inflação estava aqui para ficar, quando os gargalos se dissipariam, o quão rapidamente e até que ponto os bancos centrais apertariam ao longo do caminho de normalização.

“De repente, as tensões geopolíticas se intensificaram, levando a um conflito armado. Desde então, os mercados financeiros têm estado numa montanha-russa, notadamente em resposta às notícias sobre sanções”, observou Borio.

Josh Appel/Unsplash
Até agora, disse ele, o anúncio de novas sanções contra a Rússia trouxe mais alguns tremores, “se bem que consideravelmente mais leves”. Exemplificou que até agora de manhã os preços dos ativos de risco caíram e o dólar americano se beneficiou dos fluxos de refúgio seguro, por exemplo.

“As maiores mudanças dizem respeito aos preços das commodities que subiram substancialmente, o rublo afundou e, notadamente, a liquidez nos mercados de dólares tem sido apertada”, acrescentou. “É difícil dizer para onde os mercados irão a partir daqui. Claramente, o conflito tem aumentado muito a incerteza econômica.”

Para o economista do BIS, as notícias sobre a evolução do conflito serão de longe o fator dominante que influenciará os mercados. Neste contexto, diz que os desafios dos bancos centrais se tornaram mais complexos, com pressões conflitantes. Por um lado, o forte aumento dos preços das commodities, como da energia, vai colocar uma pressão ascendente sobre a inflação. Ao mesmo tempo, esse aumento e a incerteza na economia estarão exercendo alguma pressão para baixo sobre a atividade econômica. A extensão do impacto disso dependerá das circunstâncias específicas de cada país.

“Isso é o que os economistas tendem a chamar de choque negativo da oferta, que é o tipo de choque com o qual os bancos centrais não gostam de ter que lidar”, afirmou Borio. “Quanto à forma como os bancos centrais estarão respondendo bem, claramente isso dependerá das circunstâncias específicas de cada país e de seu mandato e eles terão que pesar essas considerações conflitantes.”

O fato é que a situação mudou claramente a forma como a economia evoluirá no futuro. Os mercados financeiros estão com foco no futuro. Não se sabe exatamente o que os preços do mercado financeiro estão refletindo. “A forma como os mercados financeiros estarão evoluindo a partir daqui dependerá do tipo de notícia que veremos. As sanções serão mais rigorosas? Mais do que o que têm sido até agora? A situação global vai se deteriorar ainda mais do que eles estão esperando?”, observou.

Em todo o caso, diz o economista do BIS, não se deve contar com a política monetária para impulsionar o crescimento. “Se quisermos ter um crescimento sustentável ao longo do tempo, a resposta não é a política monetária, a resposta não é a política fiscal, a menos que seja estrutural e favorável ao crescimento. Mas a resposta chave são, naturalmente, as políticas estruturais.”

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