BTG espera estabilidade ou queda marginal na área de banco de investimentos em 2022
Presidente da instituição, Roberto Sallouti diz que cenário, no próximo ano, será desafiador devido ao ambiente macroeconômico O BTG Pactual teve um forte crescimento de 81% na área de banco de investimentos no terceiro trimestre deste ano, ante o mesmo período de 2020, mas a tendência é que o cenário para 2022 seja mais desafiador. “Não vemos investment banking voltando a níveis de 2018-17, esperamos estabilidade ou queda marginal no ano que vem”, disse Roberto Sallouti, presidente do banco.
Nos primeiros nove meses deste ano, o investment banking do BTG acumulou R$ 1,89 bilhão em receitas, valor 42,43% superior ao registrado ao longo de todo o ano passado. De acordo com Sallouti, a composição das receitas será bem diferente em 2022 devido ao ambiente macroeconômico.
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Fora esse segmento, a parte de financiamento de empresas (corporate e SME lending) também é vista com cuidado. João Dantas, CFO do banco, destaca que o portfolio deve seguir crescendo, mas de maneira mais lenta.
Dantas ressalta, por outro lado, que o nível de spread tem se mantido nos últimos trimestres e que o nível de provisões está “adequado dada a qualidade do portfolio”.
No terceiro trimestre, a carteira de crédito corporate e de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) cresceu 43% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 97,6 bilhões.
Já as receitas da área de negócios se expandiram em 51%, a R$ 642 milhões. Na comparação trimestral, por outro lado, houve queda de 1,98% no faturamento, que foi atribuída à estratégia de “special situations”.
“O efeito de redução das receitas em corporate e SME lending decorre de ‘special situations’, sem nenhum efeito de provisão”, assegurou Dantas.
Gestão de ativos
No pilar de gestão de ativos, o BTG Pactual espera aumentos nas taxas de administração no futuro, depois de já terem avançado 31% no terceiro trimestre de 2021 anteigual período do ano passado. A área teve um aumento de R$ 270 milhões para R$ 291 milhões em suas receitas na comparação com o segundo trimestre deste ano e somou uma captação líquida de R$ 50 bilhões.
Em Principal Investments, por outro lado, o BTG teve queda de 43,8% nas receitas na base trimestral, somando R$ 136 milhões. Segundo Dantas, o resultado foi impactado pelos negócios de global markets.
“Tanto nossa posição na Eneva quanto em petróleo na África estão performando bem, mas global markets teve efeito negativo”, comenta.
No balanço do trimestre, a nota positiva do BTG foi a liquidez recorde, com R$ 50,6 bilhões de caixa, o que equivale a 1,4 vezes o patrimônio líquido.
Já o índice de Basileia ficou em 16,1%, o que de acordo com o CFO deixa os gestores “confortáveis para tocar o negócio com segurança”
Dantas disse ainda que o BTG deve continuar a ter a distribuição de juros sobre o capital próprio como prática em 2022, afirmando acreditar que a modalidade de proventos seguirá em vigor no Brasil apesar das tentativas de acabar com ela.
Reflexo da CredPago
O crescimento das receitas de sales & trading do BTG Pactual, que chegou a R$ 1,305 bilhão no terceiro trimestre de 2021, deve-se muito à venda de 40% da CredPago para a Loft em julho, admitiu Dantas.
Foram reconhecidos no resultado R$ 500 milhões dos R$ 1,4 bilhão totais da operação e as perspectivas futuras são ainda melhores.
“Acredito que em 2022 e 2023 o negócio da Loft estará indo bem e teremos eliminação de incertezas”, declarou Dantas, referindo-se aos recebíveis de longo prazo.

