Cameron Winklevoss, da Gemini, acusa de ‘má fé’ antigo colega Barry Silbert, da Genesis, por suspensão de saque em conta remunerada
Winklevoss afirmou que Silbert deixou US$ 900 milhões em ativos de clientes desnecessariamente no limbo desde o colapso da FTX As consequências do colapso do império cripto de Sam Bankman-Fried ficaram ainda mais complicadas, com o empresário de ativos digitais Cameron Winklevoss acusando o empresário Barry Silbert de táticas de má fé na gestão de recursos de seu conglomerado, o Digital Currency Group (DCG). Winklevoss afirmou que Silbert deixou US$ 900 milhões em ativos de clientes desnecessariamente no limbo desde o colapso da FTX.
A Gemini Trust Co., fundada por Winklevoss e seu irmão gêmeo, interrompeu os resgates em um produto de empréstimo conhecido como Earn, que oferecia uma espécie de conta remunerada aos investidores com ganho potencial de até 8% de juros. Conseguia fazer isso emprestando os criptoativos à Genesis Global Capital, uma das empresas pertencentes ao DGC, de Silbert.
A interrupção dos saques no Earn ocorreu em novembro, depois que a Genesis suspendeu os resgates e novas originações de crédito em sua unidade de empréstimo por causa de sua exposição à FTX. A Genesis disse aos clientes que poderia levar “semanas” para encontrar um caminho a seguir e que a falência poderia ser uma das possibilidades.
Winklevoss, enfrentando pressão de clientes que tiveram contas bloqueadas na Gemini, além de um processo de investidores sobre potencial fraude, disse em uma carta aberta na segunda-feira que forneceu a Silbert várias propostas para resolver o problema, inclusive no último dia 25 de dezembro.
Ele a Silbert que “essa bagunça é inteiramente de sua autoria”, citando cerca de US$ 1,675 bilhão devidos à Genesis pela DCG, que usou para outros fins dentro do conglomerado de Silbert. “Este é o dinheiro que a Genesis deve aos usuários do Earn e outros credores.”
“Não temos culpa que você tenha trabalhado desesperadamente para tentar proteger o DCG dos problemas que você criou na Genesis”, escreveu Winklevoss. “Você deveria dispensar essa ficção total porque todos nós sabemos o que você sabe – que DCG e a Genesis estão muito além dessa coisa toda.”
Silbert, em uma resposta no Twitter, refutou várias acusações da carta de Wilkevoss, dizendo que “DCG não emprestou US$ 1,675 bilhão da Genesis”, “nunca perdeu um pagamento de juros para a Genesis e está em dia com todos os empréstimos pendentes”, sem fornecer mais detalhes. Silbert também afirmou que o DCG entregou uma proposta para resolver a disputa aos conselheiros de Genesis e Winklevoss em 29 de dezembro, mas não recebeu resposta.
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De sua parte, Winklevoss pediu a Silbert que “se comprometa publicamente a trabalhar juntos para resolver esse problema”, que ele diz afetar mais de 340 mil clientes do Earn, até 8 de janeiro. Ele não disse o que aconteceria se nenhum acordo fosse alcançado até essa data.
A disputa é o exemplo mais recente de como as recentes crises no segmento cripto estão desgastando os laços que existiam havia muito tempo entre no topo da indústria, transformando uma antiga máximo do tipo “todos nós vamos conseguir” em outra do tipo cada um por si. Também destaca a rede de interconexões entre as maiores empresas de ativos digitais e suas afiliadas.
Winklevoss afirma que os US$ 1,675 bilhão emprestados pela DCG da Genesis foram usados “para alimentar recompras de ações gananciosas, investimentos de risco ilíquidos e negociações kamikaze da Grayscale referindo-se a outro dos negócios de Silbert, a Grayscale Investments, cujo maior veículo é o Grayscale Bitcoin Trust. Isso veio, disse ele, “tudo às custas dos credores e tudo para seu próprio ganho pessoal”.
Em declarações e tuítes, o DCG tem tentado enfatizar que está separado do Genesis e isolado de seus problemas. Depois que a Genesis suspendeu os resgates, a DCG disse em um tuíte que “essa iniciativa temporária não tem impacto nas operações comerciais da DCG e de nossas outras subsidiárias integrais”.
Silbert, em uma carta aos acionistas em novembro, disse que os empréstimos entre empresas foram feitos “no curso normal dos negócios”. Ele observou que a DCG tem um passivo de US$ 575 milhões para a Genesis. Na carta, ele também descreveu uma nota promissória de US$ 1,1 bilhão, com vencimento em junho de 2032, que ele disse ter surgido quando a controladora assumiu as responsabilidades da Genesis relacionadas ao colapso do fundo de hedge de ativos digitais Three Arrows Capital.
A postura agressiva da Winklevoss ocorre quando a Gemini e seus fundadores enfrentam um processo de investidores que acusam a empresa de fraude, alegando que o produto Earn era na verdade uma conta remunerada que não conseguiu ter registro como um valor mobiliário.

