Campos Neto admite dificuldade dos BCs para entender o pós-pandemia
Presidente do BC ainda reconheceu que os “núcleos da inflação estão bem acima da meta” e adiantou que a autoridade monetária deve revisar para baixo a sua projeção para o crescimento do PIB O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira que “economistas e banqueiros centrais tiveram dificuldade de entender o que seria o pós-pandemia” em termos econômicos.
Segundo ele, isso aconteceu no Brasil e no mundo, destacando os grandes pacotes de estímulos fiscais. A afirmação foi feita em evento virtual promovido pelo Grupo Parlatório.
Sobre a atividade econômica brasileira, ele afirmou que a autoridade monetária deve revisar para baixo a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem, que atualmente é de 2,1%.
Campos Neto ainda pontuou que o Brasil precisa “fazer o serviço de casa dobrado” por causa do ciclo de elevações de juros no exterior.
“Temos um período de ajuste monetário global”, disse, em evento virtual promovido pelo Grupo Parlatório. Segundo ele, a percepção do BC é que esse processo “continua” e que “o desafio para o Brasil vai ser maior”, já que haverá, por exemplo, “redução de fluxos” para o país.
Inflação acima da meta
Campos Neto ainda reconheceu que os “núcleos da inflação estão bem acima da meta” no Brasil. Segundo ele, o aumento da inflação “mais recente está mais espalhado”.
Atualmente, há “uma onda [de inflação] mais ligada à energia”, com impactos tanto sobre eletricidade quanto sobre combustíveis.
Ele destacou que “tivemos surtos de inflação no passado, mas importávamos deflação”. “Agora temos inflação alta e estamos importando inflação, é uma dinâmica bastante diferente”, disse.
Campos também afirmou que as expectativas de inflação para 2022 “estão saindo um pouco da meta e acelerando esse movimento de piora” recentemente.
Por isso, o “BC tem atuado e elevado os juros”, já que o controle da inflação é essencial para o crescimento da economia, segundo ele.
No acumulado de 12 meses até o outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 10,67%. Para conduzir a Selic, o BC mira com pesos iguais os anos de 2022 e 2023, para os quais as metas de inflação são 3,5% e 3,25%, respectivamente. Em ambos os casos, há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Na última reunião, o Copom elevou a Selic de 6,25% ao ano para 7,75% ao ano e afirmou que “antevê” nova alta de 1,5 ponto para o último encontro de 2021. Também disse considera “apropriado que o ciclo de aperto monetário”, com novas altas da Selic, “avance ainda mais no território contracionista”.
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
Marcelo Camargo/Agência Brasil

