Campos Neto: ‘Voltamos ao problema de crescimento estrutural baixo no país’

Em evento no TCU, presidente do BC apontou ainda que há um surto inflacionário global “Voltamos ao problema de crescimento estrutural baixo” no Brasil, inferior à média do mundo emergente, disse o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, nesta terça-feira, ao se olhar para o pós-pandemia de covid-19.
“Vemos que países emergentes estão acelerando o crescimento acima do Brasil, com exceção do México”, disse em evento sobre política monetária promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Também participam do evento quatro ex-presidentes do BC, Ilan Goldfajn, Henrique Meirelles, Arminio Fraga e Affonso Celso Pastore, além de André Lara Resende.

No início de sua fala, Campos destacou que a pandemia apresenta uma melhora expressiva no país e que estão sendo observados os efeitos da variante ômicron. Até o momento, afirmou, tem sido visto aumento grande no número de casos, mas com nível de letalidade baixo.

O presidente do BC afirmou que há uma diferenciação bastante grande no índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) de desenvolvidos e de emergentes. Disse também que, globalmente, as surpresas de crescimento estão indo para neutralidade.
Com relação à inflação, Campos Neto observou que, na visão de grande parte do mundo, seria temporária, mas não foi exatamente isso que aconteceu. “Estamos vendo surto inflacionário global.”
Durante sua exposição, ele reforçou que a demanda por energia aumentou globalmente e destacou também o impacto de “inflação verde” sobre os preços.
“Temos pela primeira vez um descolamento enorme entre o preço de energia e o preço futuro de energia”, afirmou. “Temos visto índices de inflação bastante elevados [globalmente]”, completou.
No acumulado de 12 meses até novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 10,74%. Para conduzir a Selic, o BC mira com pesos iguais os anos de 2022 e 2023, para os quais as metas de inflação são 3,5% e 3,25%, respectivamente. Em ambos os casos, há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 9,25% ao ano e afirmou que “antevê” nova alta de 1,5 ponto para o próximo encontro, em fevereiro. Também disse considerar “apropriado que o ciclo de aperto monetário”, com novas altas da Selic, “avance significativamente no território contracionista”.

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