Carteira digital: criptomoedas vieram para ficar

Autoridades monetárias se movimentam para oferecer o melhor uso e regulamentação desses recursos
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Nem o “inverno cripto” foi capaz de diminuir o interesse global por criptoativos. De acordo com o The Global Payments Report (2022), da Worldpay from FIS, que examina tendências atuais, comportamentos de diferentes gerações e pagamentos em 41 países e em cinco regiões, as criptomoedas vieram para ficar.
Entre as conclusões, as gerações Z e Y/Millennials são as mais propensas a usar novas tecnologias de pagamentos em todos os países analisados. Um dos destaques é a aderência destes públicos ao uso de criptomoedas, com 34% e 40% dos entrevistados, respectivamente, interessados em adotá-las como método de pagamento.
Para o provedor de pagamentos cripto CoinsPaid, o inverno cripto não afeta a perspectiva positiva para as criptomoedas e deve continuar a atrair o interesse de mais pessoas.
“Podemos fazer um paralelo do que acontece neste momento com a bolha da internet que vivemos no início dos anos 2000, quando houve uma grande especulação econômica em relação às empresas de tecnologia e vimos uma disparada no valor deste tipo de ação”, diz Estefano Debernardi, gerente de Desenvolvimento de Negócios da CoinsPaid para a América Latina. “No entanto, após o estouro da ‘bolha’, tivemos uma revolução digital e as criptomoedas passaram por um momento semelhante”, completa.
No segundo trimestre deste ano, a CoinsPaid registrou um recorde no número de transações alcançando um volume de mais de 2,8 bilhões de euros processados na plataforma, sendo cerca de 1 bilhão de euros apenas em maio de 2022.
“Por muito tempo, apenas ouvíamos falar sobre a valorização dos ativos e pouco sobre as possibilidades de uso das moedas. Esse movimento parece estar mudando e um número cada vez maior de pessoas começa a utilizar criptomoedas como forma de pagamento”, conclui Debernardi.
Com um valor agregado de mercado que ultrapassava US$ 2 trilhões na primeira quinzena de agosto deste ano (lembrando que o recorde foi em novembro de 2021, quando fechou em US$ 3 trilhões), as criptomoedas representam uma tendência que não é nada passageira. A marca foi alcançada após o bitcoin, moeda digital mais popular e valiosa do mundo cripto, subir para quase US$ 70 mil em novembro do ano passado.
O pico de baixa do bitcoin aconteceu em junho deste ano quando chegou a valer US$ 18.732, patamar mais baixo desde dezembro de 2020.
Bancos centrais aceleram lançamento de CBDCs
Os Bancos Centrais do mundo todo estão na corrida para lançar uma CBDC (Central Bank Digital Currency ou Moeda Digital Emitida por Banco Central, em tradução livre) totalmente funcional que também possa transacionar com outras criptomoedas do mercado – de modo seguro para todos os players, principalmente os consumidores que ainda não entendem muito o tema.
Segundo o Banco de Compensações Internacionais, só no ano passado 86% dos bancos centrais estavam pesquisando ativamente as moedas digitais.
O dinheiro digital já provou que pode ser uma solução para movimentar ativos pelo mundo em segundos. Isso sem falar nos custos, infinitamente mais baratos quando comparados com os métodos fiduciários tradicionais, como, por exemplo, a transferência bancária.
No Brasil, ainda existem as barreiras legais como uma lei que regule os criptoativos que também vai facilitar a interoperabilidade e adoção do Real Digital, que deve ser lançado em 2024, segundo previsão do Banco Central (BC).
Os pilotos da CBDC brasileira foram adiados para o ano que vem, após uma greve de servidores do BC, que tem um presidente apoiador das inovações tecnológicas da Web3.
Durante uma apresentação – O Futuro da Regulamentação dos Criptoativos no Brasil – feita em Brasília em agosto, Roberto Campos Neto ressaltou ser necessária “uma postura que combine segurança, eficiência e fomento à inovação”.
“A regulação deve levar em consideração alguns aspectos como uma postura proativa em relação aos criptoativos, entender como podem transformar a intermediação financeira e como irão interagir com o mercado financeiro tradicional e com outros mercados, além de permitir que essas inovações ocorram com segurança e tragam mais eficiência ao sistema financeiro”, disse o presidente do BC.
Um relatório recente do Banco Central Europeu chamou a atenção por analisar diversas opções de pagamentos e chegar à conclusão de que os métodos atuais são lentos, caros e altamente ineficientes.
Em meio à nova realidade digital, as autoridades monetárias estão percebendo que a adoção de criptoativos é um caminho sem volta para a economia global e o que resta é saber lidar e aprender sobre esse universo para garantir o melhor uso desses recursos.
Projeto de Lei Cripto
Com o Projeto de Lei que regulamenta os criptoativos, o Brasil dá passos largos para avançar a pauta do ecossistema web3. Já que, com o mercado regulado, abrem-se mais portas para o futuro desse ecossistema, que já está acontecendo.
Enquanto isso, as exchanges – principalmente as que estão em conformidade com as leis do País – saem na frente porque precisam reportar para a Receita Federal todas as operações realizadas pelos clientes, independentemente do valor. Caso do Mercado Bitcoin, a maior da América Latina.
“Com a aprovação do projeto, o Brasil se junta a outros países, como a Alemanha e os Estados Unidos, e se torna vanguardista de uma regulação estratégica que cria condições para o setor se desenvolver e ampliar a proteção dos investidores”, comenta Julien Dutra, diretor de Relações Governamentais da 2TM/ Mercado Bitcoin.

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