Cenário para 2022 é de apreensão para o presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento
Em março, a entidade pretende apresentar aos pré-candidatos a presidente da República, a governadores, senadores e deputados um plano com propostas de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável A elevação da taxa básica de juros (Selic) para tentar controlar a inflação, o alto nível de desemprego e as incertezas do quadro político por causa da sucessão presidencial trazem um cenário de apreensão para 2022, na avaliação de Sergio Gusmão Suchodolski, presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
“Obviamente existe apreensão para saber como a economia vai reagir em 2022. Estamos muito atentos e vamos atuar oferecendo apoio para as micro, pequenas e médias empresas”, afirmou Suchodolski.
O executivo ponderou que as economias emergentes de modo geral lutam neste momento para controlar a inflação pela alta de juros, em um momento de retomada das economias. Esse movimento deve perdurar em 2022, considerando o avanço no índice de vacinação contra a covid-19, o que permite mais socialização e a volta ao normal das atividades.
“Ano eleitoral costuma ter mais gasto de governos, muita entrega de obras, aumento de inflação. Mas vivemos um momento atípico porque ainda não saímos da pandemia. Parte da população ainda depende de programas emergenciais. É difícil comparar com o que vimos em 2018, 2014, 2010”, afirmou Suchodolski.
Atualmente, os bancos de desenvolvimento estão operando programas emergenciais, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que tem juros calculados com base na Selic mais 6%. Com os aumentos na taxa básica de juros nos últimos meses, a dívida das empresas com os bancos cresce.
“Temos visto até o momento um nível de inadimplência compatível com o mercado, em se tratando de pequenas empresas, com uma taxa de 7,8% em novembro. As carteiras dos nossos associados estão em linha com a média do Sistema Financeiro Nacional”, afirmou Suchodolski. A inadimplência geral das operações contratadas em 2020 estava em 7,9% em outubro, segundo o Banco Central. Na média geral, a inadimplência no sistema financeiro era de 2,3%.
Enquanto em 2020, houve procura principalmente por recursos para capital de giro, neste ano, os bancos de desenvolvimento registravam uma maior procura por recursos para projetos de investimento.
Suchodolski disse que os bancos de desenvolvimento possuem muitas linhas de crédito atreladas à taxa Selic. “Há uma adequação em curso, tendo em vista os aumentos recentes”, disse o executivo.
Em relação à aprovação do texto da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados, o presidente da ABDE disse que ainda precisa esperar a aprovação final da proposta para saber qual será o impacto na percepção de risco do Brasil e dos bancos nacionais e regionais. O executivo observou que, no caso das linhas de crédito que os bancos de desenvolvimento tomam no mercado internacional, a remuneração é baseada na taxa de juros do país de origem.
Em março, a ABDE vai apresentar aos pré-candidatos a presidente da República, a governadores, senadores e deputados o Plano ABDE 2030. Elaborado em conjunto com consultores, economistas e bancos de desenvolvimento, o plano apresenta propostas de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável do país nesta década. De acordo com Suchodolski, o plano propõe ações que levam em conta os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.

