CEO do Bradesco espera cenário desafiador em 2022, mas projeta crescimento do banco

Octavio de Lazari Jr afirmou ainda que espera expandir a carteira em mais de 10% O CEO do Bradesco, Octavio de Lazari Jr, afirmou que crescer a carteira em um ritmo forte no próximo ano será um desafio, em meio a um cenário macroeconômico menos positivo do que em 2021, mas disse acreditar que será possível expandi-la em mais de 10%. “Talvez não cresça os 16% deste ano, mas certamente será acima de dois dígitos”, comentou em entrevista coletiva.

Segundo ele, o otimismo do Bradesco – apesar do contexto macro – se deve a uma série de fatores. Um deles é o aumento da base de clientes, tanto no banco como nas unidades next, Bitz e Digio, que juntas têm quase 12 milhões de clientes, com uma baixa sobreposição com o Bradesco em si. “Na história do banco, sempre em momentos de maior dificuldade nós crescemos mais.”

Ele citou ainda o efeito da inflação, que já está em 10%. dos canais digitais, que responderam por 53% do crédito para pessoa física este ano. da maior reabertura da economia após a pandemia. da inflação, que continua em patamares muito abaixo das médias históricas. e do avanço dos modelos de crédito.

“Temos uma capacidade preditiva hoje muito melhor para poder assumir riscos, e temos apetite para isso”, comentou.
Sobre o banco, o CEO apresentou otimismo. “Nossa perspectiva é de crescimento. Vamos buscar expansão em 2022 apesar das dificuldades, porque o Brasil é um país resiliente.”
De acordo com o executivo, no ano que vem o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve crescer bem e a reabertura da economia possibilitada pela vacinação e queda em índices de contágio e mortes por coronavírus mostram que o país terá algo mais pleno do que a abertura parcial de 2021.
“Os Estados estão com uma das maiores disponibilidades e com ano eleitoral irão investir, o que trará mais movimentação e dinâmica para a economia”, completa.
Diante dessa visão, Lazari se diz confiante de que os níveis atuais de provisão são “mais do que suficientes para lidar com inadimplência”. “Ainda estamos com inadimplência bem abaixo do nível pré-pandemia”, destaca.
“Estamos muito bem provisionados, e como a inadimplência está controlada é normal um consumo das provisões. Estamos nesse trimestre no mesmo volume de provisões que fizemos em 2019.”
Para ele, a inadimplência pode crescer mais no ano que vem, mas sem atingir ainda os níveis históricos. “Inadimplência deve avançar um pouco na pessoa física, não vejo problema em empresas”, prevê.
Linhas de maior Spread
Lazari afirmou que o crescimento em linhas de maior spread resultará em melhora da margem financeira nos anos vindouros. “A recomposição dos spreads é bastante importante, vemos melhora nas novas produções, o que certamente vai beneficiar a margem ao longo de 2022”, comentou em coletiva.
Segundo Lazari, o Bradesco deve fechar o ano com a margem com cliente entre o meio e o topo do range, que vai de de 2% a 6%. Nos nove primeiros meses do ano, a expansão foi de 4,7%.
O executivo também comentou que as despesas operacionais devem fechar o ano com queda de 1%. O guidance é de -5% a -1% e nos nove primeiros meses do ano a variação foi de -2,5%, mas em setembro houve um reajuste de quase 11% nos salários dos bancários. “As despesas administrativas caem 0,2% no acumulado do ano, apesar da inflação elevada.”
Já para as provisões para devedores duvidosos (PDD), Lazari afirmou que elas devem fechar entre o meio e a parte melhor do guidance, que foi revisado ontem e agora vai de R$ 13 bilhões a R$ 16 bilhões. Nos nove primeiros meses do ano, esse volume foi de R$ 10,8 bilhões.
Cielo
Não existe discussão para fechar o capital da Cielo, destacou o CEO do Bradesco. Ele destacou que o banco seguirá junto com o Banco do Brasil no capital da credenciadora. “A Cielo é um ponto de discussão permanente, estamos fazendo um trabalho de ‘turnaround’ na companhia. Acreditamos muito na Cielo, precisamos de adquirência dentro do banco, assim como o BB também precisa”, comentou em coletiva.
Ele foi questionado sobre o assunto na esteira da notícia de que o Bradesco fez uma oferta de R$ 650 milhões para comprar a fatia do BB no Digio, ficando com 100% do banco. Lazari afirmou que a ideia, após a aprovação das autoridades, é manter o Digio independente, assim como ocorrer no next e na carteira digital Bitz.
“Não pretendemos unificar os negócios de Digio, next e Bitz. Qualquer fusão exige um freio de arrumação e seria uma judiação fazer isso com essas empresas, que já decolaram. Vamos investir até mais nelas em 2022”, afirmou.
Plataforma digital
O next atingiu 7,7 milhões de clientes no terceiro trimestre de 2021 e a nova meta é de alcançar 10 milhões, disse Lazari.
Em relação ao terceiro trimestre de 2020, houve um crescimento de 141% no número de clientes da plataforma digital.
Segundo o CEO, as bases de clientes de next, Digio e Bitz estão crescendo muito bem. Um destaque dessas operações digitais, segundo Lazari, é que essas bases não têm cruzamento com os clientes do banco, são novas pessoas atingidas pelo grupo.
“É uma estratégia complementar, de modo que não pretendemos unificar os negócios de Bitz, Digio e next porque são operações que já decolaram, e toda vez que você faz uma fusão ou aquisição existe um freio natural que é a fase de arrumação da casa”, argumenta.

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