Coinbase prepara desembarque no Brasil

Gigante americana aposta em regulação e renova interesse no país, apesar de ‘inverno cripto’ Maior corretora de criptomoedas dos EUA, a Coinbase aposta na regulação brasileira e na popularização do segmento para ganhar participação de mercado no país. A empresa, que já conta com 40 pessoas no Brasil, prepara seu desembarque oficial nos próximos meses, apesar de o mais recente “inverno cripto” ter levado à demissão de 1.100 colaboradores nos EUA.
“O Brasil continua sendo um mercado prioritário para nós”, disse ao Valor Nana Murugesan, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Coinbase e responsável pela expansão internacional. “Devido às condições atuais do mercado, tivemos que tomar decisões difíceis. No entanto, a expansão internacional continua sendo prioridade e faremos as contratações necessárias para dar suporte a funções críticas”, completou.
A corretora emprega mais de 5 mil pessoas e tem perto de 98 milhões de usuários em cem países.
No Brasil, a operação é liderada por Fabio Plein, ex- PicPay e com passagem pelo Uber Eats, que pretende colocar a Coinbase entre as líderes do mercado local, hoje nas mãos da Binance e do MB (antigo Mercado Bitcoin). A expectativa é que a subsidiária brasileira tenha 130 colaboradores, todos em esquema de home office permanente. “Queremos fazer do Brasil um caso de sucesso na Coinbase. É um país chave”, disse Plein.
Nos planos para o Brasil está oferecer toda a sua prateleira de 170 ativos digitais. A Coinbase trabalha com o chamado staking, em que o usuário recebe uma renda passiva ao emprestar criptomoedas para ajudar a validar transações em determinadas redes blockchain. A corretora tem também uma carteira digital de autocustódia, que dá acesso ao ecossistema web3 independentemente da rede, blockchain, país ou moeda.
A corretora aposta no chamado Marco Cripto, em tramitação final no Congresso, para estimular os negócios com criptoativos e trazer mais investidores institucionais e pessoa física para esse mercado. Na avaliação de Murugesan, que participou no início do mês de evento com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a regulação brasileira deverá ser “market friendly”.
“A comunidade cripto deve construir produtos com responsabilidade e é papel do governo garantir uma regulação inteligente e adequada. Todos os players da criptoeconomia precisam pensar a regulação ‘olhando para frente’. Estamos otimistas sobre o futuro das criptomoedas no Brasil e entusiasmados em saber que os reguladores e as autoridades do governo brasileiro entendem os benefícios do setor cripto”, disse.
Além da regulação favorável, o executivo considera os brasileiros particularmente abertos para adotar novidades tecnológicas, como mostrou a adesão ao Pix, o que fomenta a criptoeconomia local.
“O potencial para os criptoativos no Brasil é enorme e vemos a regulação como um facilitador. Os brasileiros são vistos como os primeiros a adotar novas tecnologias e estão abertos à inovação financeira. Desde tecnologias para melhorar os pagamentos até projetos de microfinanças, fornecer instrumentos de proteção contra a inflação e acesso ao capital, a cultura empreendedora do Brasil está bem posicionada para liderar a América Latina na web3”, disse.
Segundo Murugesan, as redes que utilizam essa tecnologia são abertas ao ponto de remover fronteiras, criando oportunidades para players independentemente do país. “Essa tecnologia permite que todas as pessoas no mundo possam realizar transações em redes compartilhadas. Estamos aqui para adaptar produtos globais para as necessidades do Brasil”, disse.
Murugesan evitou falar sobre eventuais planos de expansão por meio de aquisições no Brasil, deixando o assunto para a Coinbase Ventures, braço de investimentos em venture capital do grupo que tem participação na gestora brasileira Hashdex e na Bitso, exchange de origem mexicana. No início do ano, a Coinbase foi apontada como interessada em comprar o Mercado Bitcoin, mas as negociações teriam ruído após a forte queda no preço das ações da corretora nos EUA. Apenas neste ano, os papéis da Coinbase derreteram 78%.
Leia a entrevista completa em www.valor.com.br/criptomoedas

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