Confiança do comércio tem pior queda em oito meses prejudicada por ambiente macroeconômico, diz FGV

Inflação pressionada, juros altos e crédito restrito derrubaram o humor do empresário varejista em julho Um ambiente macroeconômico desfavorável para compras no comércio, com inflação pressionada, juros altos e crédito restrito, derrubou o humor do empresário varejista em julho, que mostrou no mês a pior retração de confiança em oito meses. A análise é de Rodolpho Tobler, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao comentar a queda de 2,8 pontos no Índice de Confiança do Comércio (Icom) em julho ante junho, para 95,1 pontos – a mais intensa desde novembro de 2021 (-6,2 pontos).

O técnico comentou, ainda, que visualizar a trajetória futura do Icom, hoje, é uma incógnita. Na prática, ponderou o técnico, é preciso ver se os novos estímulos lançados pelo governo, como auxílios de renda a diferentes categorias, poderão elevar o poder aquisitivo do brasileiro. Em caso afirmativo, isso pode diminuir a influência desfavorável, no consumo, do atual ambiente macroeconômico – e, assim, prover impacto favorável em vendas e no humor do varejista.

Ao falar sobre a evolução do indicador, o técnico comentou que houve piora tanto nas avaliações sobre momento presente quanto nas expectativas do empresário do comércio, em julho. Isso é perceptível na trajetória dos dois sub-indicadores componentes do Icom. O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 2,9 pontos em julho ante junho, para 105,6 pontos. já o Índice de Expectativas (IE) recuou 2,7 pontos, no mesmo período, para 84,8 pontos.

A inflação continua muito alta, lembrou o técnico. E juros também podendo até aumentar [mais]. O ambiente macroeconômico [está] muito negativo. O mercado de trabalho reage, mas com renda ainda muito baixa enumerou ele. O empresário do comércio ainda está muito cauteloso em suas expectativas afirmou ele, comentando que ainda é difícil visualizar, para o empresário do setor, como a demanda se comportará nos próximos meses, caso o ambiente macroeconômico se mantenha como o cenário atual. Acho que temos uma incerteza muito alta para os próximos meses, disse.
Novos estímulos lançados pelo governo poderão melhorar o humor do empresário varejista, mas futuro ainda é incerto
Valter Campanato/Agência Brasil

Por outro lado, o especialista ressaltou que os recentes anúncios do governo de prover auxílios a diferentes categorias, como taxistas e caminhoneiros, pode ajudar a estimular consumo e, por consequência, os negócios no varejo. A dúvida, ponderou ele, é se esses estímulos da União poderão eliminar completamente o atual impacto negativo, no poder aquisitivo do consumidor, originado de inflação e juros altos, e crédito restrito.

Esse pacote de benesses do governo vai dar uma injeção de ânimo em recursos [na economia], afirmou. Mas o que vai ditar a trajetória [futura do Icom] é o que vai prevalecer dessas duas forças: se o pacote de estímulos ou o ambiente macroeconômico, resumiu.

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