Consumo das famílias em alta dependerá de rumo de inflação e juros para se manter, diz CNC
Intenção de Consumo das Famílias subiu 1,2% em julho ante junho, para 80,7 pontos, informou a entidade As ações do governo em prover saldo adicional de renda ao consumidor levaram a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a registrar maior patamar em mais de dois anos. A ICF subiu 1,2% em julho ante junho, para 80,7 pontos, informou a entidade, nesta terça-feira (02). Na comparação com julho do ano passado, a expansão foi de 18%.
Mas a sustentabilidade da ICF em alta dependerá da trajetória futura da inflação e dos juros, atualmente em patamar elevado, e da influência desses dois fatores no poder aquisitivo do consumidor nos próximos meses, segundo Catarina Silva, economista da CNC.
Com a alta, índice atingiu maior pontuação desde maio de 2020 (81,7 pontos), detalhou ela. “Observamos que as medidas do governo [como Auxílio Brasil] ajudaram a compor renda principalmente das famílias com renda inferior a dez salários-mínimos”, disse, notando que isso, na prática, acabou por favorecer consumo, no período.
No entanto, ao ser questionada se ICF continuará a subir, a especialista foi cautelosa. Ela comentou que, em meados desse ano, há sinais positivos na evolução da renda do brasileiro. Não somente favorecida por programas de transferência de renda do governo, os ganhos do brasileiro também passam por influência positiva da melhora do emprego – que impulsiona a renda originada do trabalho.
Entretanto, ela admitiu que o consumo é afetado por conjuntura macroeconômica que, atualmente, além de inflação persistente e juros altos, opera com crédito mais restrito do que em anos anteriores.
Para a especialista, é preciso ver qual será o real impacto do ambiente macroeconômico no poder de consumo do brasileiro para projetar trajetória futura do ICF – algo que não seria possível visualizar, no momento.
“Temos sinais positivos no ambiente para consumo. mas também temos esses desafios que estão refreando”, disse ela em relação ao impacto da inflação e dos juros elevados sobre o poder de compra das famílias.
Tópicos da pesquisa
Na passagem de junho para julho, todos os sete tópicos usados para cálculo do indicador mostraram alta ante junho desse ano. É o caso dos aumentos em emprego atual (1,3%). perspectiva profissional (0,5%). renda atual (2,4%). acesso ao crédito (0,7%). nível de consumo atual (2,1%). perspectiva de consumo (0,2%) e momento para duráveis (0,5%).
Por sua vez, na comparação com julho de 2021, seis tópicos usados para cálculo do ICF apresentaram saldo positivo, em julho desse ano. É o caso de emprego atual (25,5%). perspectiva profissional (30,3%). renda atual (23,5%). acesso ao crédito (4,2%). nível de consumo atual (18,8%). e perspectiva de consumo (15,2%). Nessa comparação ante igual mês de ano anterior, a única queda foi observada em momento para duráveis (-1%).
Tânia Rêgo/Agência Brasil

