Crédito de carbono negociado na China atinge maior valor em 4 meses

Empresas correm para comprar crédito e cumprir suas metas de emissão do gás poluente Os contratos de dióxido de carbono negociados na China atingiram os maiores valores em quatro meses na última segunda-feira, à medida que as empresas do país correm para comprar crédito e cumprir suas metas de emissão do gás poluente.
De acordo com dados oficiais, o preço do contrato mais ativo saltou 5,4% em relação ao dia anterior, fechando em 49,18 yuans (US$ 7,71) por tonelada, depois de atingir a máxima intraday a 51,33 yuans. Trata-se do maior valor desde o fechamento em 24 de agosto, a 50,20 yuans.
Para a economista-chefe da Natixis, Alicia Garcia Herrero, o preço do carbono é crucial para as promessas de mudança climática da China.
Ela lembra que um dos principais mecanismos para alcançar o pico de emissões de gases do efeito estufa até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2060 foi a criação de um esquema de comércio de emissões de crédito (ETS, na sigla em inglês) em todo o país, desde julho deste ano.

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“O tamanho do mercado nacional de ETS na China é um ponto forte, pois se tornou o maior do mundo desde o primeiro dia de operação, podendo comercializar aproximadamente 4 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono por dia, mais do que o dobro da permissão de carbono no ETS negociados no mercado da União Europeia, que está em vigor há 16 anos”, observou em relatório.
Alicia observa, porém, que “tamanho não é tudo o que importa”. “Na realidade, o tamanho do ETS da China reflete o papel do país como o maior emissor de dióxido de carbono do mundo, sendo responsável por cerca de 30% das emissões globais”, pondera a economista da Natixis.
Segundo ela, esse tamanho abrange cerca de 40% das emissões totais da China e envolve poucos setores, em especial o de geração de energia.
“Além disso, o valor é mais nominal do que real, pois o mercado continua sem liquidez e conta com um número bastante reduzido de participantes, cerca de 2 mil poluidores para toda a China”, completa.
Para a economista da consultoria, além de aumentar a eficiência do mercado de ETS na China, o mais importante é que os preços do carbono negociados desencorajem o uso de combustíveis fósseis na matriz energética da China.
Segundo dados oficiais, o volume de transação acumulado da permissão de emissão de carbono no mercado nacional de carbono da China (CEA) é de 133,9 milhão de toneladas, perfazendo um montante de mais de 5,5 bilhões de yuans.

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