Criptomoedas em bear market: como sobreviver a esse período de queda?
Veteranos do mercado dão dicas para investir no inverno dos criptoativos – veja quais são O número de investidores de criptomoedas cresceu consideravelmente entre 2020 e 2022. O Mercado Bitcoin, maior plataforma para negociação de criptoativos na América Latina, viu sua base de clientes crescer de 2 milhões para 3,5 milhões. Para muitos investidores, portanto, essa pode ser a primeira experiência de bear market no mercado cripto.
O bear market é também conhecido por termos como mercado de baixa, ou mercado baixista. Esse período é caracterizado por duras quedas nos preços dos criptoativos no geral, acarretando em um êxodo de investidores para outras classes de ativos. Por isso, o bear market é também a fase mais calma do mercado cripto, no qual desenvolvedores focam em aperfeiçoar os fundamentos dos projetos.
Nesse novo cenário, onde os preços estão em queda livre, é normal que investidores que nunca vivenciaram este momento fiquem confusos. Para ajudar a esclarecer as dúvidas mais comuns, especialistas dividiram seus conhecimentos nas linhas abaixo.
A jogada mais segura
Mais de 13 mil criptoativos estão disponíveis atualmente para aquisição, apontam dados do CoinGecko. Se até os investidores experientes cometem erros na hora de selecionar os projetos que desejam investir, a probabilidade de fazer uma escolha ruim é ainda maior para quem começou a investir em moedas digitais recentemente.
Ter altcoins – nome dado aos criptoativos que não são o Bitcoin – é extremamente arriscado no momento, afirma André Franco, Head de Research do Grupo 2TM, que controla o Mercado Bitcoin. Franco salienta que muitos ativos tidos como promissores no ciclo de alta de 2017 não valorizaram novamente em 2021. “Eles não sobreviveram ao bear market anterior, e nada garante que não aconteça o mesmo agora.”
Sob a ótica da melhor relação entre risco e retorno, Franco aponta que uma das opções mais seguras nesse mercado de baixa é ir com ativos que sobreviveram ao teste do tempo. Nesse caso, Bitcoin e Ethereum. Além disso, ele menciona a necessidade de reservar um valor em caixa, destinado a aproveitar eventuais oportunidades de compra durante o ciclo de baixa.
André Franco é Head de Research do Grupo 2TM
Adam Tavares
Analisando os melhores projetos
Durante o bear market, muitos usuários deixam o mercado de criptoativos amargurados, e com razão. Ver o ativo recentemente adquirido derreter em uma espiral de queda nunca é bom. Ao mesmo tempo,usuários que se interessaram pelas aplicações de Web3 decidem ficar e explorar o mercado – investindo em projetos aparentemente promissores.
André Franco, da 2TM, comenta sobre dois principais pontos a serem observados em um projeto: Product Market Fit e Token Economics. O Product Market Fit, diz, é a adequação do produto ao mercado. Isso significa “oferecer produtos que satisfaçam um nicho específico em cripto”, o que pode ser extremamente poderoso para um projeto.
“Podemos observar isso várias vezes durante o último ciclo de alta, um exemplo muito claro foi a rápida ascensão do Axie Infinity e o modelo Play-to-Earn (P2E). Já existia uma vontade de tornar as economias de games em economias reais e o time da Sky Mavis tornou isso possível através do Axie.”
O Token Economics, por sua vez, diz respeito a quão bem o token captura o valor do projeto, avalia Franco. “Tokens não são necessariamente um sinônimo de equity do projeto, o que pode gerar algumas discrepâncias entre o valor criado por um projeto e seu token.”
Como exemplo, ele menciona o ecossistema Cosmos e o seu token nativo, o ATOM. O ATOM não foi criado para acompanhar o valor do projeto, sendo usado somente para pagar taxas da rede.
“Não pegue uma faca em queda”
A máxima de “compre na baixa”, conforme demonstrado por André Franco, acaba sendo arriscada quando usada de forma extrema. Comprar uma altcoin cujo preço está em queda, ainda que este mesmo ativo tenha atingido um alto preço, não garante que a performance se repita. No mercado cripto, comprar uma moeda digital apenas pela queda no preço ganhou o nome de “pegar uma faca em queda”.
Felipe Sant’Ana, cofundador da Paradigma Education, comenta sobre a alta relação que os diferentes criptoativos apresentam entre si. Isto é, “quando o mercado sobe, as criptomoedas com valor de mercado menor apresentam um desempenho melhor”. Durante a queda, no entanto, as small caps exibem perdas mais drásticas do que o Bitcoin, por exemplo.
“Não faz sentido comprar criptoativos baratos só porque já caíram bastante. Se a conjuntura não mudar, eles vão continuar caindo, e mais rápido que as blue chips do mercado cripto [Bitcoin e Ethereum]. Não é porque uma moeda caiu 90% que ela não tem mais muito chão pra despencar. Pode muito bem cair 90% de novo.
Garanta os lucros
Embora o bear market seja um período onde os lucros são mais raros, eles não são inexistentes. É normal que, vez ou outra, o token de um projeto dispare 300% por razões diversas. O que fazer: realizar logo os lucros ou esperar o próximo ciclo de alta, dando a possibilidade do ativo valorizar ainda mais?
Henrique Paiva, analista CNPI da casa de análises O2 Research e do Canal Bitnada, recomenda uma ação entre ambas as decisões: a realização parcial de lucro. Paiva diz que é importante garantir, pelo menos, uma relação de 1,5 para 1 em relação ao valor investido, vendendo 50% da posição.
“Explicando em termos práticos: se seu alvo de lucro for de 2%, você pode vender metade da sua posição quando atingir 3% de lucro. E se seu stop for de 10%, você pode vender metade da posição nos 15% de lucro, para então mover seu stop para o preço de compra.”
A ideia é garantir lucros vendendo metade da posição. Caso o preço do criptoativo não continue subindo, o ponto de venda deve ser o preço de aquisição. Assim, diz Paiva, o investidor se certifica que o lucro realizado não seja perdido. Agora, caso o ativo continue subindo, o investidor ainda está na operação – ainda que com uma posição reduzida.
O analista ressalta, contudo, que o investidor não deve depender da segunda metade da posição. Ou seja: o foco deve estar na primeira venda de 50% do montante adquirido, quando o lucro já foi garantido.

